Fogo, o inimigo a ser combativo

As usinas desenvolvem ações de conscientização com os colaboradores e com a região em que estão inseridas na busca de prevenir incêndios. O tempo seco do inverno, a escassez de chuvas e os fortes ventos propiciam o aumento de casos.

Em Goiás, o Corpo de Bombeiros atendeu no mês de julho deste ano 1.180 ocorrências de incêndio florestal, apenas em canavial foram três. Em janeiro, por exemplo, quando o clima é úmido, foram 54.

A Raízen, com 20 unidades com atividades agrícolas em todo o país, investe aproximadamente R$ 30 milhões por ano em ações preventivas com campanhas de conscientização para o público interno e a externo e no combate aos focos. Segundo Rodrigo Morales, gerente corporativo de operações da Raízen, o foco da empresa é trabalhar com prevenção.

“Cerca de 30% dessa nossa verba é utilizada entre julho e agosto, considerados os meses mais críticos em Goiás e no interior de São Paulo”, explica.

Devido às ações de prevenção, entre abril, maio e junho de 2020, a multinacional já preservou 30 mil toneladas que foram queimadas indevidamente em comparação a 2019. Hoje a produção da Raízen chega a 63 milhões de toneladas de cana.

Inicialmente, a multinacional desenvolvia ações apenas com os colaboradores, por acreditar que eles são agentes de conscientização da comunidade. “Sempre no início das atividades no campo desenvolvemos o Diálogo Diário de Segurança (DDS), que entre os meses de maio a agosto, focamos nessa temática”, explica.

As ações com a comunidade são mais recentes. A Raízen faz atividades em centros comunitários e escolas, com o desenvolvimento de cartilhas para as crianças brincarem e assim, aprenderem sobre a importância da
prevenção aos incêndios.

Já no campo são realizadas mais ações preventivas. Entre elas estão os aceiros, que em caso de focos, evitam a propagação do fogo. Também são feitos após o início das colheitas, o enleiramento com palha. A operação amontoa a palha, deixando espaços de terra entre os montes, permitindo que equipes ganhem tempo.

Além disso, as equipes de combate às chamas ficam posicionadas em locais estratégicos, isso é, em pontos que há um histórico com problemas com incêndios. “Selecionamos locais próximos às rodovias, onde as pessoas descartam lixos. Também nas proximidades de residências, alguns moradores colocam fogo em insetos e no lixo caseiro”. Em Goiás, na cidade de Jataí, a empresa faz testes para o uso de aeronaves no combate aos focos.

A Raízen também investe em câmeras em pontos escolhidos e, em algumas regiões há equipes de ronda nos canaviais. Cada unidade da Raízen tem uma profissionais dedicados ao trabalho de conscientização e de combate. Temos 1100 brigadistas capacitados e 80 caminhões pipas dedicados distribuídas nas unidades em todo o país. Toda a unidade tem um Plano de Auxílio Mútuo Interno que permite proximidade com empresas da região e o Corpo de Bombeiros, em apoio recíproco em caso de necessidade.

Caso de sucesso

A Cooper-Rubi, usina localizada em Goiás, também desenvolve ações preventivas. A unidade registrou queda nas ocorrências de incêndio nos primeiros cinco meses deste ano em relação ao ano passado. Em 2019, a usina atendeu 37 focos, já neste ano, foram apenas três, o que representa uma redução de mais de 91%. Apenas no mês de maio do ano passado foram 18 casos.

Essa boa notícia se deve a ampliação das medidas preventivas desenvolvidas pelo Departamento de Meio Ambiente da unidade. A usina, que antes contava com dois vigilantes de campo, acrescentou mais um na equipe. Agora, são três profissionais que fazem rondas diariamente e também orientam a vizinhança das lavouras.

Ainda para somar há três fiscais de campo que dão todo o suporte necessário às equipes de incêndios, investigando as causas de cada um. Além disso, em caso de fogo acidental ou criminoso, um coordenador operacional – que supervisiona os trabalhos das equipes de combate a incêndios – repassa para  o departamento agrícola as informações referentes às áreas atingidas para que seja feito o boletim de ocorrência. Outa importante ação para todo esse trabalho foi a aquisição de três novos caminhões pipa. Agora, a Cooper-Rubi conta com 15 veículos.

Para conscientizar a população sobre a necessidade de prevenção de incêndios clandestinos ou acidentais que trazem sempre muitos prejuízos e destroem os canaviais, afetando gravemente a fauna e flora da região e prejudicando a qualidade do ar para toda a comunidade, foram instaladas nas áreas rurais, em locais com maior incidência do
problema, placas de alerta contra o uso do fogo.

A usina também realiza campanhas educativas e de conscientização em emissoras de rádio e em suas redes sociais. Esse material foi a plotado nos ônibus que transportam os colaboradores da usina, aumentando a visibilidade da ação.

A tecnologia é uma forte aliada neste trabalho. A empresa utiliza drones para o monitoramento das lavouras com o trabalho de duas equipes de combate a incêndio que ficam à disposição 24 horas.

É importante ressaltar que há diferenças entre queimadas e incêndios. As queimadas são ações controladas em período de safra, sempre com autorização e licença dos órgãos públicos ambientais. Para a realização da ação é necessário que ela aconteça no período da noite e seguindo várias técnicas. As queimadas são processos feitos mediante rigoroso controle e devidamente autorizados pelos órgãos públicos ambientais e mediante o cumprimento de certos requisitos legais. Já os  incêndios são aqueles feitos de forma criminosa ou acidental, que geralmente são descontrolados.

_Canal-Jornal da Bioenergia_

O setor sucroenergético se destaca nos últimos anos na geração renovável de energia, seja pela produção de etanol – que é um combustível menos poluente – seja pela geração de vapor e pela bioeletricidade.

Para aumentar o portfólio de produtos, as usinas agora já trabalham em pesquisa e no desenvolvimento para inserir a geração de biogás e biometano a partir de subprodutos da cana, como vinhaça, torta de filtro outros resíduos do processo de moagem e folhas. O objetivo é gerar novas receitas econômicas, com a injeção de biometano na rede distribuidora de gás, na produção de excedente na cogeração de energia na rede elétrica, ou mesmo para uso próprio, com a substituição de diesel na frota.

De acordo com a o André Elia, Consultor Ambiental e de Recurso Hídrico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), estima-se que a produção de biogás pode aumentar em mais de 10% a produção energética de uma destilaria, somente com o reaproveitamento da vinhaça. “Com o aproveitamento dos demais resíduos esse potencial mais do que dobra. Isso trará certamente uma maior sustentabilidade ambiental ao setor sucroenergético como um todo, podendo em certos casos zerar a pegada de carbono,” explica.

Algumas empresas do setor já estão investindo nesse segmento, utilizando produtos subutilizados do processamento de cana. De acordo com o representante Unica, a tecnologia de produção do biogás e biometano a partir dos resíduos do setor sucroenergético, principalmente da vinhaça, é testada desde a década de 1980, em pesquisas e plantas demonstrativas. “Na época, o setor construiu uma planta demonstrativa de grande escala na Usina São João da Boa Vista, em São Paulo, que produziu biometano para atender a frota de caminhões, em substituição ao diesel. A planta foi desmobilizada anos depois por não trazer competitividade frente ao diesel”, explica.

Outro exemplo, citado por André, é o biodigestor de vinhaça da Usina São Martinho, em São Paulo, que produz biogás para secagem de levedura. Segundo a entidade, várias outras pesquisas foram realizadas, porém a tecnologia, apesar de viável tecnicamente, não apresentou a viabilidade econômica requerida para substituição de combustível fóssil como o diesel ou produção de excedente de eletricidade.

Fontes limpas

Com a valorização da energia renovável grupos associados à Unica têm investido no biogás e no biometado. A Raizen já desenvolve uma planta para geração de energia elétrica na Usina de Bonfim, na cidade de Guariba, localizada no interior de São Paulo. A unidade, que tem uma moagem de aproximadamente 5 milhões de toneladas ao ano, será a primeira em escala comercial no mundo a utilizar a torta de filtro, na geração de energia elétrica por meio do biogás.

O investimento inicial na unidade é de R$150 milhões e terá uma potência instalada de 21 MW para produção de 138.000 MWh/ano de bioeletricidade a partir do biogás dos resíduos agrícolas e industriais da usina. A usina será equipada com dois métodos de produção: o primeiro adotará o sistema de co-digestão da Geo Energética, com utilização de resíduos como torta de filtro, bagaço e palha; o segundo, por sua vez, fará a biodigestão da vinhaça em “lagoas cobertas” a cargo da empresa Sebigas-Cótica.

A biodigestão dos subprodutos da usina de Guariba da Raízen permitirá uma produção de 138 mil MWh por ano, que é suficiente para abastecer, por exemplo, o próprio município e as cidades próximas. Desses, 96 mil MWh serão vendidos no contrato de leilão de 2016, do qual a Raízen foi a vencedora. E o valor excedente deverá ser negociado no mercado livre ou comercializado por meio de outros contratos.

O Grupo Cocal, juntamente com a empresa GasBrasiliano, também anunciou o desenvolvimento de um projeto que visa a produção de biometano a partir dos resíduos da cana-de-açúcar – vinhaça, torta de filtro e palha da cana – na unidade de Narandiba da Cocal, em São Paulo.

O investimento estimado é de R$ 160 milhões, com R$ 130 milhões da usina sucroenergética para a produção do combustível e R$ 30 milhões pela distribuidora para construir 65 quilômetros de rede. A previsão é que a operação comece no segundo semestre de 2020 com a capacidade de ofertar até 67 mil metros cúbicos de biometano por dia.

Em Goiás, a Jalles Machado desenvolve estudos de viabilidade para a produção de biogás na unidade de Goianésia. A empresa planeja produzir através da vinhaça e torta de filtro. O projeto tem previsão inicial para o início de 2021.

Essas são iniciativas que demonstram uma solução importante para o setor no desenvolvimento desse novo produto energético “Hoje, praticamente não há geração de biogás ou biometano pelo setor em grande escala, mas estima-se que só com a vinhaça pode-se produzir cerca de 3,5 bilhões de Nm3 de biometano por ano em 2030 com o RenovaBio”, afirma André. Segundo ele, para que todo esse potencial de energia renovável se viabilize é necessário o desenvolvimento de políticas públicas em paralelo com as iniciativas pontuais de inovações de alguns grupos do setor.

Fonte-Canal-Jornal da Bioenergia

Cigarrinha-de-raiz é uma praga que assola os canaviais reduzindo a produtividade em até 80%. Ela é encontrada, praticamente, em todas as regiões canavieiras do Brasil. Este inseto começou a se tornar relevante após o início da mecanização do manejo nos canaviais, com a ausência das queimadas.

Com as máquinas, há o acúmulo de palha que contribuiu para manter a umidade do solo, favorecendo o aumento da população da cigarrinha. A queimada na cana-de-açúcar era uma forma de controle cultural, porém essa tática ainda é realizada apenas em regiões nas quais a queima ainda é permitida, contribuindo para a destruição das formas biológicas da cigarrinha-das-raízes, especialmente dos ovos. “Com a colheita mecanizada, a cobertura vegetal deixada ao solo favorece o ambiente para o desenvolvimento dessa praga”, explica Ana Paula Bonilha, especialista de Desenvolvimento de Produto e Mercado da Ourofino Agrociência.

Mas outros fatores também são associados à ocorrência da praga, como o histórico populacional da área, o manejo realizado,  as variedades de cana-de-açúcar mais suscetíveis e a época de corte do canavial.

Segundo o analista técnico do Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás (Ifag), Alexandro Alves, a mudança no manejo permitiu a proliferação da cigarrinha. “O inseto produz ovos, que se transformam em ninfas. Estas se alimentam das seivas das raízes e das folhas dos canaviais. Além disso, injetam toxinas na planta ocasionando a perda de produtividade”, explica.

O ciclo do inseto inicia no período chuvoso. “Estamos no momento crucial. Em Goiás, por exemplo, o verão é um momento de atenção, pois temos a palhada no canavial, além de uma amplitude térmica alta e umidade relativa o ar também elevada. Todos são fatores e condições favoráveis que propiciam o desenvolvimento do inseto”, revela.

O ciclo

A primeira geração do inseto, apesar de pequena, possui a capacidade de desenvolvimento até a fase adulta, que fará a postura da segunda geração, já em maior quantidade. O pesquisador de Inseticidas da Ourofino Agrociência, Helvio Campoy Costa Junior, complementa que no período chuvoso, podem ser observados os altos níveis populacionais em campo, principalmente na segunda e terceira geração da praga. “Sendo assim, é extremamente importante realizar o controle no início do aparecimento de adultos e ninfas provenientes de ovos sobreviventes da safra anterior (Diapausa)”, explica.

Identificação

A infestação da cigarrinha-da-raiz é identificada pela presença de uma espuma esbranquiçada semelhante à espuma de sabão na planta. Para um controle eficaz, é imprescindível realizar o monitoramento, que deve ser realizado após 15 dias do início do período chuvoso. “Detectar a primeira geração permite um controle mais eficiente e, por isso, ele deve ser mantido durante todo o período de infestação – ou seja, entre os meses de março e abril”, orienta Ana Paula Bonilha.

Para identificar a praga nos canaviais e acompanhar o desenvolvimento populacional, o indicado é que o agricultor realize amostragens nos talhões, em seis pontos por hectare, em dois metros de sulco por ponto. “Quanto maior o número de pontos amostrados, melhor será a representatividade da amostragem frente à população de cigarrinhas no canavial. Essa amostragem é realizada contando o número de formas biológicas – adultos e ninfas – que estão localizadas sob a palha na região das touceiras, sendo assim, é necessário afastar a camada de palha para observar os insetos”, explica Bonilha.

Os canaviais novos sofrem mais com o ataque dessa praga, por isso devem ser priorizados no monitoramento, bem como áreas com histórico de alta infestação de cigarrinhas.

O ataque das cigarrinhas deixa as plantas mais suscetíveis ao acesso de outros organismos. Um bom exemplo são os fungos fitopatogênicos que ocasionam prejuízos diretos – no desenvolvimento da planta – ou indiretos, que comprometem a qualidade da matéria-prima, como a podridão vermelha.

Proteção

Atualmente, os principais métodos utilizados para o manejo de cigarrinha-das-raízes na cultura da cana-de-açúcar são: controle químico, controle cultural, variedades resistentes e controle biológico. Não existe um melhor método, a seleção entre controle químico e biológico está relacionada com o nível de infestação do inseto na área, sendo que, por diversas vezes, há a necessidade de associação dos diferentes métodos de controle. “É importante salientar que ambos os métodos podem ser utilizados em programas de manejo integrado de pragas”, explica Helvio Campoy Costa Junior, Pesquisador de Inseticidas da Ourofino Agrociência.

Alexandro complementa que o controle biológico é realizado com a pulverização do fungo metarhizium, de preferência em ambiente favorável, que é na época chuvosa. “Após este primeiro controle, é importante fazer  novamente uma nova contagem, para identificar os adultos e ninfas e verificar se é necessário outra ação, como a entrada de químicos.

Mas, no entanto, a utilização de cada método demanda um planejamento prévio para garantir o sucesso da ação. “Por exemplo, podemos utilizar inseticidas químicos para controle de adultos e ninfas da praga, retirada ou afastamento da palha, expondo a linha da cana à maior incidência de radiação solar e diminuindo a umidade do solo, o que resulta em condições menos favoráveis ao desenvolvimento de cigarrinhas, variedades que não apresentam grande suscetibilidade ao ataque da praga e, por fim, agentes de controle microbiano como os fungos entomopatogênicos.”, ressalta o pesquisador de Inseticidas. Porém, todos os métodos citados anteriormente são possíveis de serem empregados de maneira integrada e sustentável, mantendo a praga em baixos níveis populacionais.

Canal-Jornal da Bioenergia

Goiás é o segundo maior produtor de cana-de-açúcar e seus derivados açúcar e etanol no Brasil. A cultura é extremamente representativa em termos econômicos para o Estado: na safra 2018/19, a produção deve alcançar aproximadamente 71 milhões de toneladas. A cana-de-açúcar ocupa mais de um milhão de hectares de área plantada, é a segunda cultura agrícola mais importante considerando-se o Valor Bruto da Produção (VBP) e emprega mais de 100 mil pessoas de forma direta.

Como a demanda por profissionais qualificados é alta e os produtores e trabalhadores precisam se manter constantemente atualizados, o EAD Senar Goiás lança o curso Cultivo e Produção de Cana-de-açúcar.

A formação visa desenvolver alunos quanto às mais modernas práticas de cultivo, com vistas ao aumento de produtividade e rentabilidade na lavoura, aliadas à redução do impacto ambiental. O curso é totalmente online, gratuito, tem carga horária de 20 horas e o aluno terá até um mês para terminar seus estudos. Ao final, receberá um certificado, que poderá ser utilizado como comprovação de atividade complementar, caso o aluno seja universitário.

Atendendo a pedidos

O novo curso é o segundo do Programa Produção Vegetal, lançado no primeiro bimestre de 2018. O primeiro curso, Cultivo e Produção de Grãos é um sucesso e já recebeu 3 mil alunos.

Para José Mário, presidente do Sistema Faeg Senar, as expectativas são altíssimas com o novo curso: “Recebemos muitos pedidos para lançar uma capacitação voltada à cana-de-açúcar. Goiás já é uma potência na cultura e tem tudo para crescer ainda mais. E não tem jeito, é preciso investir em conhecimento para que nosso setor alcance resultados cada vez melhores”, afirma.

Oportunidade

O curso é aberto a todos os moradores de Goiás que tenham interesse em se qualificar na área. É destinado especialmente a produtores rurais e seus familiares, administradores de propriedades, trabalhadores rurais e estudantes de cursos técnicos e universitários.

Para quem atua no setor do agronegócio, o curso representa a oportunidade de melhorar o currículo e conquistar uma das vagas que a lavoura da cana-de-açúcar oferece. Este é o caso de Gabriel Jeyme Silva Rocha, de 24 anos, morador de Goiatuba. Engenheiro agrônomo recém-formado, ele foi um dos primeiros pré-inscritos da primeira turma. “Recentemente participei de um processo seletivo para trainee de uma usina e fazenda da região e não fui chamado. Acredito que por não ter nenhuma experiência com cana-de-açúcar. Assim, quando vi  abertura do curso, pensei que é a oportunidade que preciso para agregar conhecimento e poder disputar novas vagas”, conta Gabriel.

Este será o quinto curso de Gabriel no EAD Senar Goiás. Ele já fez outros na área de gestão rural, agricultura de precisão e o de Cultivo e Produção de Grãos e diz sempre acompanhar as notícias, pois aprova o formato e qualidade dos materiais de ensino.

Sobre o setor

A cultura da cana-de-açúcar é forte no Centro-Oeste e no Estado de Goiás. Apesar do momento de crise econômica no Brasil e no mundo, a cultura se manteve estável e tem excelentes perspectivas para a próxima safra.

Joaquim Sardinha, presidente da Comissão de Cana-de-Açúcar e Bioenergia da Faeg e diretor da Aprocana explica que as previsões são boas para todo o setor. Ou seja, produtores devem ter melhoria na rentabilidade e profissionais devem continuar com um mercado de trabalho aquecido.

“São vários os fatores altistas. A cultura da cana-de-açúcar tem evoluído em termos de produção e produtividade em Goiás; os fatores agroclimáticos são positivos, com boas chuvas e recuperação dos canaviais; a demanda por etanol está alta pela competitividade com a gasolina e o mercado futuro internacional do açúcar já aponta preços maiores na Bolsa de Nova York, com a redução dos estoques globais da commodity”, afirma Sardinha.

Cana-de-açúcar em Goiás

• Produção na safra 2017/18: 70,62 milhões de toneladas

• Produção na safra 2018/19 (previsão): 70,95 milhões de toneladas

• Área plantada: 1,1 milhão de hectares -> corresponde a 21,5% das áreas agricultáveis do Estado, desconsiderando áreas ocupadas por pastagens

• 100 mil empregos diretos e 300 mil indiretos

• A produção de Goiás corresponde a 51% da produção do Centro-Oeste e 11% da produção brasileira.

• No ranking brasileiro, os maiores Estados produtores são (safra 2018/19):

• São Paulo, com produção estimada de 341 milhões de toneladas

• Goiás, com produção estimada de 71 milhões de toneladas

• Minas Gerais, com produção estimada de 67 milhões de toneladas

• 36 usinas em operação e 39 instaladas

• Ranking das cidades produtoras:

1. Quirinópolis

2. Mineiros

3. Goiatuba

4. Itumbiara

5. Rio Verde

Dados: Conab/IBGE/SIFAEG

Serviço

Curso Cultivo e Produção de Cana-de-Açúcar

Curta duração, online, grátis e com certificado

Matrículas e mais informações em: https:/goo.gl/2yrtkt.

Unica

A capacidade da cana-de-açúcar de acumular altos níveis de biomassa e de sacarose no colmo ao longo de seu desenvolvimento tornou a planta a mais usada para obter açúcar e a segunda maior matéria-prima para produção de etanol no mundo.

Já se sabia que a acumulação de biomassa e de sacarose pela planta está relacionada ao uso de metabólitos, como carboidratos não estruturais (NSCs), produzidos pelo processo de fotossíntese durante o dia. Não estava claro como as condições ambientais e os estágios de desenvolvimento da cana influenciam a produção de NSCs e afetam o crescimento da planta.

Um estudo realizado por pesquisadores do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP), publicado na revista Functional Plant Biology, ajudou a esclarecer essa questão.

Os resultados do estudo, feito no âmbito do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol – um dos INCTs apoiados pela FAPESP em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) no Estado de São Paulo –, podem contribuir para o desenvolvimento de estratégias voltadas a aumentar a produção de biomassa pela cana.

“Descrevemos, pela primeira vez, o comportamento diuturno da cana, no campo, durante todo um ciclo de desenvolvimento. Com isso, fizemos algumas descobertas interessantes e estratégicas na direção do nosso objetivo de produzir uma ‘supercana’ [capaz de acumular biomassa e altos teores de fibra rapidamente]”, disse Marcos Buckeridge, professor do IB-USP e um dos autores do estudo, à Agência FAPESP.

Os pesquisadores acompanharam um ciclo completo de crescimento da cana, de 12 meses, em campo, 24 horas por dia, em uma fazenda em Piracicaba, no interior de São Paulo. Eles analisaram parâmetros, como as trocas gasosas pelas folhas e a acumulação de NSCs durante diferentes estágios de desenvolvimento da planta.

Os resultados das análises dos dados indicaram que a cana apresenta uma transição entre três e seis meses de desenvolvimento, em que passa de um “modo” de crescimento para outro de armazenamento.

Até os três a quatro meses de desenvolvimento, em que são registradas as maiores taxas de fotossíntese, a cana forma uma copa operacional, com um determinado número de folhas. Após atingir esse estágio e até os seis meses de desenvolvimento, a cada folha produzida pela planta outra folha – geralmente da parte mais abaixo da copa – começa a envelhecer. Dessa forma, a cana mantém um determinado número de folhas.

A partir dos seis meses, a planta começa a armazenar sacarose, no colmo e nas raízes, e amido nas folhas até os 12 meses. Nessa fase, a cana-de-açúcar praticamente deixa de fazer fotossíntese e está pronta para ser cortada e usada para produção de açúcar e etanol.

“Sabíamos que a cana acumula açúcares durante a fase de desenvolvimento de seis a 12 meses, mas constatamos, agora, que isso acontece ao mesmo tempo em que diminui gradativamente a fotossíntese nas folhas, onde há um acúmulo muito grande de amido aos 12 meses”, disse Amanda Pereira de Souza, que fez pós-doutorado no IB-USP com Bolsa da FAPESP e é primeira autora do estudo.

Os pesquisadores também observaram que os açúcares que ficam guardados na raiz da cana cortada e mantida no solo após a soca para rebrotar e iniciar um novo ciclo ajudam a regenerar a parte inicial do desenvolvimento da nova planta.

Mais sacarose e amido

Outra descoberta foi a de que as folhas da cana abrem seus estômatos (estruturas celulares que têm a função de realizar trocas gasosas entre a planta e o meio ambiente) para absorver água durante a madrugada, em que a umidade é mais alta, entre seis e nove meses de desenvolvimento, quando a planta passa por um período de seca e faz menos fotossíntese.

“Achamos que isso pode estar relacionado com um mecanismo fisiológico de proteção da planta contra a seca”, disse Buckeridge.

Na avaliação do pesquisador, a detecção do ponto de transição da cana entre três e seis meses de desenvolvimento, em que passa da fase de crescimento para a de armazenamento de sacarose, abre a perspectiva de ativar e desativar genes que determinam o processo de acúmulo de açúcares em diferentes partes da planta.

“O entendimento de como cada órgão controla o acúmulo de açúcares na mesma planta abre caminho para o desenvolvimento tanto de uma cana com mais sacarose nas folhas ou uma cana com mais amido no colmo. Ambas as estratégias podem ser interessantes em diferentes situações”, disse Buckeridge.

Já a descoberta de que as folhas da cana abrem seus estômatos para absorver água na madrugada durante o período de seca pode possibilitar a identificação de variedades mais tolerantes ao estresse hídrico.

“Isso abre um leque de novas oportunidades para entendermos o efeito da seca sobre a cana, inclusive aspectos relacionados às suas respostas às mudanças climáticas”, afirmou.

O artigo Diurnal variation in gas exchange and nonstructural carbohydrates throughout sugarcane development (doi: 10.1071/FP17268), de Amanda P. De Souza, Adriana Grandis, Bruna C. Arenque-Musa e Marcos S. Buckeridge, pode ser lido na revista Functional Plant Biology em www.publish.csiro.au/FP/FP17268. Agência FAPESP –

Dezembro foi marcado por chuvas abaixo da média nas principais regiões canavieiras do Centro-Sul. De acordo com o Índice Relativo de Chuva (IRC), calculado pela DATAGRO Consultoria, o índice de precipitações na região foi de 119,3 mm, 46,6% abaixo da média histórica.

O cenário de clima seco começa a preocupar os produtores. No último mês, agrônomos da DATAGRO identificaram em alguns canaviais de São Paulo problemas em solos arenosos, onde folhas das plantas começaram a enrolar. No estado, as chuvas estiveram 53,2% abaixo do normal em dezembro, quando o índice de chuvas chegou a 102,4 mm.

Para os próximos meses, as previsões climáticas indicam um cenário de chuvas esporádicas e menos distribuídas. Mesmo sob os efeitos do El Niño, que tem 90% de chances de acontecer neste ano, as precipitações podem ficar abaixo do esperado no Centro-Sul.

Mesmo com prognóstico de clima seco, ainda é cedo para dizer qual efeito esse cenário terá sobre o volume de cana que será processada. Para 2018/19, a DATAGRO estima que a moagem de cana na região alcance 564,5 milhões de toneladas.

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