Núcleo de Mudas Pré-Brotadas da BP Bunge investe em variedades mais produtivas

Atualmente capaz de produzir cerca de 3,4 milhões de mudas de cana-de-açúcar ao ano, o núcleo de produção de Mudas Pré-Brotadas – MPB, localizado na unidade Moema, em Orindiúva (SP), desenvolve uma série de variedades com foco no aumento da produtividade para atender às 11 unidades da BP Bunge Bioenergia, de acordo com as características geográficas, geológicas e climáticas de cada região.
O plantio com MPB na lavoura da cana-de-açúcar garante sanidade, rastreabilidade e confiança da origem do material, o que resulta em um canavial de alto potencial produtivo. Para introduzir de maneira segura e rápida essas variedades de qualidade elevada, o plantio está direcionado à implantação de linhas mães de meiose.
“Nossas variedades são testadas em cada uma das regiões que temos unidade, e são escolhidas as que melhor se adaptam aos ambientes de produção, garantindo a mais adequada adaptação e, portanto, maior produtividade, que é o nosso principal objetivo”, explica Rogério Bremm, diretor Agrícola da BP Bunge Bioenergia.
O desenvolvimento das mudas é feito com parceiros como o IAC (Instituto Agronômico de Campinas), o CTC (Centro de Tecnologia Canavieira) e a Ridesa (Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento do Setor Sucroenergético), na busca de varietais com características específicas para cada ambiente.
Criado em 2019, o núcleo de MPB já em seu primeiro ano ampliou a produção de mudas em 22%, passando de 2,809 milhões de unidades para 3,424 milhões em 2020. O custo unitário médio das mudas chega a ser até 50% menor do que o praticado pelo mercado.
Reconhecimento
Em novembro de 2020, a unidade Monteverde da BP Bunge Bioenergia, localizada no município de Ponta Porã (MS), recebeu o Prêmio Excelência 2020, concedido pelo Programa Cana – IAC (Instituto Agronômico de Campinas) por seu destaque no manejo de variedades de cana-de-açúcar naquele Estado.

Inverno chega e traz preocupação maior com fogo acidental e criminoso

 

Tempo seco, ventanias e umidade do ar quase sempre em torno dos 12%. Clima típico do inverno em Goiás e que faz aumentar muito a incidência de incêndios rurais, tanto os provocados por ação criminosa como também aqueles acidentais, que na maioria das vezes, são fruto da imprudência.

As 35 usinas sucroenergéticas que atuam no estado fazem um trabalho constante para prevenir e combater os incêndios. São mais de mil colaboradores e cerca de 900 caminhões pipa envolvidos nas ações.  Uma estrutura que implica em elevados investimentos financeiros e de recursos humanos.

As equipes de combate às chamas ficam posicionadas em locais estratégicos, próximos às rodovias, onde as pessoas descartam lixo e jogam tocos de cigarro. Várias usinas usam inclusive aviões e drones neste trabalho preventivo. Todas as usinas possuem brigadas de combate a incêndios com profissionais capacitados e dezenas de caminhões pipas.

“As usinas, em parceria com as unidades do Corpo de Bombeiros e prefeituras, trabalham constantemente para diminuir os prejuízos materiais gerados por esses incêndios criminosos e também para colaborar efetivamente para a preservação de vidas e a conservação da fauna e da flora”, afirma André Rocha, Presidente-Executivo do SIFAEG/SIFAÇUCAR, sindicatos que representam os produtores de etanol, açúcar e bioeletricidade em Goiás.

TECNOLOGIA É ALIADA

Na BP Bunge Bioenergia são 108 caminhões pipas, sendo que em três unidades já foram implementados em 100% da frota caminhões equipados com jato de água automatizados, controlados pelo operador por joystick de dentro da cabine do caminhão, o que evita a exposição do brigadista. “Temos também um sistema de monitoramento de incêndios por imagens de satélite, com acompanhamento em tempo real.” explica Nadia Gama, diretora de HSSE da BP Bunge Bioenergia.

CONSCIENTIZAÇÃO

Na Usina Caçu, no sudoeste goiano, as campanhas de prevenção são constantes e nesta época de seca são intensificadas. Outdoors espalhados pelos municípios da região passam mensagens de alerta para os riscos de incêndios. Além disso, é feito um trabalho diário nos canaviais com patrulhamento constante das fazendas, inclusive com videomonitoramento de longo alcance.

 

Na CRV Industrial, no município de Carmo do Rio Verde, visando conscientizar a população sobre a necessidade de prevenção de incêndios clandestinos ou acidentais, que também prejudicam a qualidade do ar, são instaladas placas de alerta contra o uso do fogo nas áreas rurais, em locais com maior incidência do problema.

RESULTADOS

Na usina Cooper-Rubi, situada em Rubiataba, a ampliação das medidas preventivas desenvolvidas pelo Departamento de Meio Ambiente tem dado resultados positivos. Houve uma queda nas ocorrências de incêndio no último ano na região da usina. Em 2019, foram registradas 164 ocorrências, já em 2020 foram 99, uma redução de 39,63%.

Na Denusa, no Município de Indiara, é feito um mapeamento das áreas de reincidência de incêndio. Além disso, após a colheita, é realizado o enleiramento, amontoando a palha, deixando espaços de terra entre os montes. Isso permite que equipes ganhem tempo se houver necessidade de combater focos de incêndio. Essas medidas também têm resultado em número menor de ocorrências.

 

Todas as 11 unidades da companhia possuem monitoramento por imagens de satélite em tempo real

 

Prevenir é a melhor atitude quando o tema são os riscos de incêndios, especialmente em épocas de tempo seco, característico do período que coincide com o final do outono e o inverno na região Centro-Sul do País, onde estão as 11 unidades agroindustriais da BP Bunge Bioenergia, uma das maiores companhias do Brasil em capacidade de moagem de cana-de-açúcar, de 32 milhões de toneladas ao ano. É por essa razão que a empresa possui um Programa de Prevenção e Combate a Incêndios pelo qual investe tempo, comprometimento dos times e recursos financeiros para que os riscos de incêndios sejam controlados e extintos.

 

Tais iniciativas incluem a aquisição e manutenção de equipamentos e materiais, disponibilização, formação, treinamento regular e gestão de equipes locais, promoção de campanhas internas e externas de prevenção e gestão de sistemas de apoio. Vale destacar que 100% da colheita de cana-de-açúcar da BP Bunge Bioenergia é mecanizada e, por essa razão, a empresa nunca utiliza o fogo no manejo dos canaviais.

 

“Temos  um sistema de monitoramento de incêndios por imagens de satélite, com acompanhamento em tempo real. Dispomos ainda de um projeto na unidade Pedro Afonso, no Estado do Tocantins, onde instalamos torres de observação equipadas com câmeras de alta definição para monitoramento do canavial”, explica Nadia Gama, diretora de HSSE da BP Bunge Bioenergia.

 

A empresa conta com centenas de brigadistas treinados e dedicados 24 horas ao dia, sete dias por semana, ao trabalho de prevenção e combate a incêndios em seus canaviais e instalações de todas as suas unidades. Dispõe de 108 caminhões pipas, sendo que em três unidades já foram implementados em 100% da frota caminhões equipados com jato de água automatizados, controlados pelo operador por joystick de dentro da cabine do caminhão, o que evita a exposição do brigadista.

 

“Há estudos que indicam perda do teor de açúcar das plantas queimadas, o que é um prejuízo. Também há a eliminação da palhada com uma queimada. Esse material orgânico é usado na proteção e recomposição do solo, assim como parte da biomassa seria aproveitada na cogeração de energia elétrica. Fica claro que o uso do fogo na cultura da cana-de-açúcar é ruim não só para a sociedade, como também para a empresa”, esclarece Nadia Gama.

 

“Infelizmente, grande parte dos incêndios ainda está associada ao descuido de algumas pessoas que usam fogo para eliminar restos de poda ou lixo, que lançam ‘bitucas’ de cigarro nas beiras de estrada ou ateiam foco nas áreas com a intenção de abrir passagens e vias clandestinas”, acrescenta a executiva.

 

Prevenção contínua

 

Em relação aos sistemas de prevenção a incêndios, a companhia possui programas que incluem a classificação e avaliação das áreas de risco. Suas equipes atuam em ações preventivas para evitar a ocorrência de incêndios a partir da limpeza regular de áreas próximas a rodovias, de carreadores e aceiros, entre outras.

 

Além disso, as unidades dispõem na área agrícola de postos avançados de combate a incêndios com brigadistas de plantão com caminhões pipa e outros equipamentos posicionados em pontos estratégicos prontos para eventuais deslocamentos de emergência, tudo com apoio de um sistema de navegação online que aponta os melhores caminhos aos condutores para chegarem às áreas de atendimento.

 

A BP Bunge promove também campanhas internas e externas sobre o tema para conscientização de seus cerca de 9.000 colaboradores diretos e 4.000 prestadores de serviços terceirizados, além da população das comunidades onde está presente. A empresa atua ainda em parcerias locais com o Corpo de Bombeiros.

 

Todos os colaboradores dedicados ao trabalho de prevenção e combate a incêndios recebem treinamento regular e têm à disposição EPIs – Equipamentos de Proteção Individual específicos para o combate ao fogo, como macacões antichamas, máscaras de proteção, sobretudos de bombeiros, assim como máscaras com suprimento de oxigênio, entre outros.

 

Como você pode fazer a sua parte?

 

  • Não queime lixo ou folhas secas, descarte-o em local apropriado;
  • Nunca jogue bitucas de cigarro às margens de rodovias;
  • Evite acender fogueiras. Basta uma fagulha para o fogo se alastrar;
  • Não solte balões. É crime previsto na lei 9.605/98;
  • Descarte vidros e latas da forma correta, sua exposição ao sol ou ao calor em contato com folhas secas pode criar uma chama;
  • Cuidado com velas, tochas, lampiões e fogareiros;
  • Verifique as instalações elétricas residenciais para evitar curto-circuitos.

 

Em caso de incêndio na sua região, acione o Corpo de Bombeiros pelo número de emergência 193.

 

Sobre a BP Bunge Bioenergia

A BP Bunge Bioenergia, empresa formada a partir da joint venture das operações de açúcar, etanol e bioeletricidade da bp e da Bunge, está entre as líderes do mercado nacional de bioenergia e açúcar. Presentes nos Estados de Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo e Tocantins, suas 11 unidades agroindustriais têm capacidade de moagem de cerca de 32 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por ano. A empresa ainda é responsável pela gestão de 450 mil hectares de terras dedicadas à produção de cana-de-açúcar. Com aproximadamente 9 mil colaboradores, a BP Bunge Bioenergia está focada em ser referência mundial na produção de energia sustentável. Mais informações em www.bpbunge.com.br.

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Responsável por prejuízos estimados em R$ 5 bilhões a cada safra, a maior ameaça à cultura da cana-de-açúcar no Brasil é um inseto-praga com pouco mais de 20 milímetros de comprimento: a mariposa Diatraea saccharalis em sua fase larval, mais conhecida como broca-da-cana. Para combatê-la, a empresa paulista PangeiaBiotech utiliza organismos ainda menores e ferramentas da engenharia genética. A startup desenvolve variedades de cana transgênica que associam a expressão de duas proteínas bioinseticidas da bactéria Bacillus thuringiensis (Bt) com um gene extraído de outro microrganismo, Agrobacterium sp., que confere maior tolerância ao herbicida glifosato. Genes da bactéria Bt são empregados em processos de transgenia de diversas plantas visando ao controle biológico de pragas há mais de duas décadas.

Batizada de BtRR, a tecnologia foi desenvolvida com apoio do programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe) da FAPESP, da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que está realizando testes em seus campos experimentais de Brasília. O próximo passo é encontrar parceiros comerciais interessados no licenciamento da tecnologia. A intenção da startup é lançar a primeira variedade no mercado até o plantio da safra 2022/23. “Esperamos ter 20% da área plantada do Brasil com nossas canas transgênicas até 2030”, estima o engenheiro-agrônomo Paulo Cezar de Lucca, idealizador do projeto e da empresa, criada em 2015.

A tolerância ao glifosato é inovadora na cultura de cana. O agricultor poderá usar menos defensivo na produção

A cana transgênica da startup, abrigada na Incubadora de Empresas de Base Tecnológica (Incamp) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), não é a primeira do país. O pioneirismo coube à variedade CTC20BT, nascida nos laboratórios do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), entidade mantida por produtores e empresas do setor sucroenergético em Piracicaba (SP). A CTC20BT foi aprovada em 2017 pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), instituição que avalia organismos geneticamente modificados (OGM). No ano seguinte, o CTC teve a segunda variedade transgênica aprovada: CTC9001BT. Essas duas variedades também empregam um gene da bactéria Bt, cuja finalidade é expressar uma proteína do grupo Cry, de ação bioinseticida. Ao serem ingeridas pela praga, as proteínas ligam-se a receptores do intestino do inseto, causando danos no sistema digestivo que são fatais.

As novas variedades da PangeiaBiotech dão um passo adiante na evolução tecnológica da cana ao utilizar duas proteínas Cry diferentes. “A dupla transgenia já existia em culturas como as do milho e da soja. Estamos agora trazendo para a cana”, esclarece de Lucca. Para o agrônomo Hugo Molinari, pesquisador da Embrapa Agroenergia e participante do projeto, o emprego de duas proteínas com propriedades inseticidas proporciona maior durabilidade à tecnologia, reduzindo o risco de evolução de resistência.

Além da dupla transgenia, as variedades desenvolvidas pela startup paulista incorporam o gene cp4-epsps da Agrobacterium sp., tolerante ao herbicida glifosato. A bactéria é encontrada naturalmente no solo. “A resistência ao glifosato é inovadora na cultura de cana. O agricultor passará a usar menos defensivo na produção. Não há no mercado cana resistente simultaneamente à broca-da-cana e ao herbicida glifosato”, destaca de Lucca.

Ele explica que atualmente o produtor precisa combater as plantas daninhas fazendo aplicações de herbicida entre as linhas de cana, com muito cuidado, pois o produto pode danificar a lavoura. Nesse trabalho, utilizam-se tratores, numa operação demorada e cara, sobretudo devido ao custo do óleo diesel. “Se a cana for resistente ao herbicida, o produtor pode fazer pulverização aérea, economizando combustível”, diz o criador da PangeiaBiotech. Também há economia de defensivos, afirma Molinari.

Outra inovação em desenvolvimento da PangeiaBiotech é a produção de cana transgênica que, além da resistência à broca e ao glifosato, será resistente ao besouro Sphenophorus levis, conhecido como bicudo. “Com a mecanização, a cana passou a ser colhida crua — e não mais por meio da queima do canavial –, o que aumentou a incidência de pragas, entre elas Sphenophorus e a cigarrinha. Elas morriam quando se queimava a plantação; agora se alojam na palhada e se multiplicam”, explica Molinari. Segundo o pesquisador, os prejuízos causados pelo bicudo são estimados em R$ 2 bilhões por ano no Brasil e ainda não há controle químico ou biológico de grande eficiência.

Quando tiver colocado as variedades BtRR no mercado, a PangeiaBiotech terá consolidado uma mudança em seu modelo de negócio. Segundo de Lucca, o propósito inicial da empresa era oferecer serviços de transformação genética de plantas, dentro do conceito norte-americano de Plant Transformation Facility, que ainda não existia no Brasil. “Esse projeto se concretizou. Já atendemos cerca de 25 centros de pesquisa no Brasil. Eles enviam o gene de interesse e devolvemos as plantas modificadas quatro meses depois. Dessa forma, o pesquisador pode focar na descoberta de novos genes e ver a resposta de sua teoria em pouco tempo”, conta de Lucca. Além da cana, a startup realiza transformação genética de tabaco, tomate e milho.

Em 2017, da relação da empresa com a Embrapa Agroenergia, na época um de seus clientes, nasceu o projeto de cana com dupla transgenia e uma mudança no plano de negócio. “A parceria com a Embrapa nos permitiu dar um grande salto. Agora, a ideia é produzir nossas próprias variedades”, planeja de Lucca. O empresário pretende continuar a prestação de serviços.

Entre os clientes, estão o Centro de Biologia Molecular e Engenharia Genética (CBMEG) da Unicamp, o Centro de Cana do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e a Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento do Setor Sucroenergético (Ridesa), que reúne 10 universidades federais. Segundo Monalisa Sampaio Carneiro, professora do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), que integra a rede, a Ridesa é responsável pelo desenvolvimento de mais da metade das variedades cultivadas no país, que são obtidas por técnicas de melhoramento genético, ou seja, pelo cruzamento de variedades de plantas. Agora, a Ridesa recorre aos serviços de transformação da PangeiaBiotech para a obtenção de versões transgênicas de suas variedades. “Recebendo a planta já transformada geneticamente pela PangeiaBiotech, pesquisadores e empresas que trabalham com melhoramento de cana podem economizar até dois anos em suas pesquisas”, afirma a pesquisadora.

José Antônio Bressiani, engenheiro-agrônomo e diretor agrícola da empresa de biotecnologia GranBio, também contou com os serviços da PangeiaBiotech para o desenvolvimento de uma variedade de cana-energia transgênica, atualmente em testes de campo. Mais rústica e com maior teor de fibras, a cana-energia é utilizada para a produção de etanol de segunda geração, obtido da palha e do bagaço. As variedades comercializadas foram criadas por meio de melhoramento genético. Agora, a empresa planeja lançar uma cana-energia transgênica, com resistência à broca e a herbicida — o projeto conta, igualmente, com a participação da PangeiaBiotech. Paralelamente, desenvolve outra variedade de cana-energia transgênica, com genes para resistência à seca e para aumento de biomassa, pesquisa apoiada pela FAPESP.

Para o engenheiro-agrônomo Gonçalo Amarante Guimarães Pereira, do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp, startups como a PangeiaBiotech podem ter um papel-chave no desenvolvimento do setor sucroenergético brasileiro, com foco no mercado mundial de biocombustíveis. “Pequenas e ágeis, as startups têm grande capacidade de inovar”, destaca.

Coordenador do Laboratório de Genômica e Expressão da Unicamp desde sua criação, em 1997, e cientista-chefe da GranBio entre 2012 e 2016, Pereira observa que, nos últimos anos, o melhoramento genético da cana não tem garantido os saltos de produtividade observados em outras culturas, como milho, soja e trigo, após o desenvolvimento de variedades transgênicas. “Existe um limite para o melhoramento genético tradicional”, explica o pesquisador. “Uma nova planta demora cerca de 10 anos para ser produzida, enquanto uma nova variante de um microrganismo capaz de atacá-la pode surgir em dias.” Com a transgenia, afirma Pereira, é possível desenvolver variedades resistentes — e, portanto, mais produtivas — a novas doenças em menor tempo quando comparado ao trabalho de melhoramento genético convencional.

Embora existam centenas de variedades de cana criadas conforme as diferentes condições de clima e solo — das quais cerca de 20 dominam o mercado –, a produtividade tem se mantido mais ou menos estável nos últimos anos. A PangeiaBiotech espera contribuir para a mudança desse cenário um quarto de século depois do surgimento das primeiras variedades Bt nas lavouras de milho e algodão norte-americanas.

Há uma explicação comercial e outra científica para esse atraso, na opinião dos pesquisadores. Molinari, da Embrapa Agroenergia, diz que a cultura de cana-de-açúcar, embora importante para nossa matriz energética, não representa um mercado grande o suficiente para interessar multinacionais a investir em pesquisa. “A cultura de cana não é global; seu plantio é restrito aos trópicos. Diante do mercado gigante da soja ou trigo, ela é pequena.”

A justificativa científica deriva da própria complexidade do objeto de estudo. “O genoma da cana é muito mais complexo e extenso do que o de outras plantas”, destaca o biólogo Michael dos Santos Brito, do Instituto de Ciência e Tecnologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Não por acaso, foi apenas no final de 2019 que se concluiu o sequenciamento mais completo do genoma da planta: 373.869 genes mapeados, correspondendo a 99,1% do total (ver Pesquisa FAPESP no 286).

O sequenciamento foi resultado do Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (Bioen), lançado em 2008 para estimular a produção de bioenergia no Brasil. É também no âmbito do Bioen que Brito desenvolve um projeto para identificar e caracterizar novos promotores de cana, sequências do DNA responsáveis por regular a expressão do gene. Com esse projeto, ele pretende criar um banco de dados que possa ser útil a pesquisas posteriores. “A cana-de-açúcar não é uma planta simples; são necessários muitos recursos para sua pesquisa. Precisamos aproveitar o know-how que desenvolvemos até agora e que nos coloca à frente do mundo inteiro”, sentencia.

Agência Fapesp

A mudança no processo de colheita da cana-de-açúcar ocorrida no Brasil nas últimas três décadas foi a principal responsável pela redução de 72,8% nas emissões de gases de efeito estufa (GEE) de 2016, em relação à 2010. Os dados constam do Inventário Nacional de Emissões e Remoções de GEE, um dos componentes da Quarta Comunicação Nacional do Brasil à Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC). O documento, cuja elaboração é coordenada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), foi submetido à UNFCCC em 31 de dezembro de 2020.

Anteriormente, após a colheita manual da cana-de-açúcar, as áreas de cultivo eram queimadas. Esse processo mudou com a adoção da mecanização, que também permitiu aproveitar o palhiço, que são palhas, folhas verdes etc., como proteção natural do solo e adubo, indicando uma modificação no manejo da cultura e adoção de práticas mais conservacionistas.

Segundo dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) de 2019, o Brasil é o maior produtor global de cana-de-açúcar, representando cerca de 40% do volume mundial de colmos (tipo de caule) colhidos em 2018. A maior região produtora é o Sudeste, majoritariamente o estado de São Paulo, na qual está aproximadamente 68% de toda a área canavieira nacional, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2019. Na região também estão localizadas 198 das 361 unidades agroindustriais que processam a cultura.

A cana-de-açúcar e o algodão são as duas culturas avaliadas no subsetor Queima de Resíduos Agrícolas. O processo de pós-colheita do algodão no Brasil parou de utilizar a queima em 1994. Dessa forma, as emissões atuais são apenas provenientes da cana-de-açúcar, que contribuem com um percentual de 0,1% do total de emissões de CO2 equivalente do setor Agropecuária. Ainda assim, a redução nas emissões provenientes de queima de resíduos agrícolas é importante para o segmento sucroenergético, e indica avanços do setor.

Ag. Brasil

Produtividade, renovação e variedade possuem uma forte relação em um canavial. E no campo se começa toda a cadeia do setor sucroenérgetico. Para facilitar a vida do produtor, o Instituto Agronômico de Campinas (IAC) realiza anualmente a Censo Varietal, que visa atender a crescente necessidade de informação do setor, possibilitando aos participantes o acesso a importantes conhecimentos referentes às variedades mais utilizadas nas principais regiões produtoras de cana-de-açúcar do país.

Segundo o Consultor do Programa Cana IAC, Rubens Leite do Canto Braga Junior, nos dados já coletados foi observado houve uma redução de 2,8% na área cultivada. “Essa diminuição se deve aos anos de crise em que o setor está envolvido, fazendo com que um grande número de empresas entrem  em fase de recuperação judicial”, explica. Proporcionalmente, o Espírito Santo e Paraná tiveram as maiores reduções de área.

Foi identificada uma taxa de renovação na safra 2019/20 de 16,1%, que representa um aumento de 5,3% em relação à safra passada.  As variedades mais utilizadas foram pela ordem: RB867515, RB966928, CTC4, RB92579 e RB855156. Ao todo foram mencionadas 543 variedades ou clones de cana-de-açúcar. Do Instituto se destacaram no censo algumas variedades. A IACSP95-5094, que está em franca expansão; além das IAC91-1099 e a IACSP97-4039, que são destinadas as regiões com maior déficit hídrico, como o norte paulista, Goiás e Minas Gerais); além das recém lançadas – IACSP01-5503 e IACCTC07-8008 –  ambas com característica de rusticidade.

A região de São José do Rio Preto (São Paulo) se destacou pelo maior uso de variedades modernas, alcançando o melhor Índice de atualização varietal. Já o Estado de Goiás se sobressaiu por ser o estado da região Centro-Sul onde houve a maior proporção de áreas renovadas, no qual 17,3% das áreas cultivadas foram trabalhadas como áreas de renovação.

A renovação do canavial é de extrema importância para a produtividade do mesmo, pois restringe o risco ambiental provocado pela introdução de novas enfermidades no sistema de cultivo da cana-de-açúcar. “Produtores com um plantel varietal mais diversificado são menos afetados pelas perdas provocadas por novas doenças,” enfatiza. O IAC preconiza que o produtor nunca tenha mais de 15% de sua área com uma única variedade. Isso permite, teoricamente, que uma variedade afetada por uma nova doença seja erradicada em apenas uma safra.

O levantamento

O estado do Mato Grosso apresentou o canavial mais antigo, com estágio médio de corte igual a 4,20. Já  São Paulo apresentou o canavial mais jovem, com estatura média dos colmos (EMC) igual a 3,78. Mas o pesquisador explica que estudos mostram que a cada ano a mais no EMC existe uma perda de 8,5 t/ha.

O Programa Cana IAC também faz uma pesquisa sobre as novas técnicas de plantio que estão sendo utilizadas pelos produtores. Este levantamento está em curso, mas já é possível afirmar que apesar do aumento do plantio manual, principalmente, associado ao desdobramento de linhas do sistema de meiose, o plantio mecanizado ainda é o mais utilizado.

“Vale destacar o compromisso desse trabalho em apresentar as informações ao público de maneira transparente, mas garantindo a confidencialidade da informação individual das empresas. Os dados fornecem relevantes análises, permitindo uma visão contextual de regiões com maior inovação”, complementa Rubens .

O atual Censo ainda não foi publicado, o levantamento da região Centro-Sul para a safra 2019/20, já foi concluído com uma área recenseada de 6,1 milhões de hectares. O Instituto levantou informações sobre as áreas de variedades de dois terços da desta região, sendo o maior levantamento, desse tipo, realizado no país. “Essas informações geram análises estratégicas para as empresas, em função das variedades que estão utilizando e das que deveriam passar a utilizar”, explica Rubens. Ainda está em desenvolvimento o Censo da região Norte-Nordeste.

Bactérias para melhora da produtividade da cana

Aumentar a produtividade da lavoura é uma necessidade de qualquer produtor. Assim, há muitas análises e desenvolvimento de tecnologias, mas uma pesquisa da  Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), em Piracicaba (SP) voltou nas origens da agricultura e conseguiu aumentar a produtividade  sendo mais sustentável.

Com o uso de bactérias e torta de filtro e cinza de caldeira, que são resíduos da cana-de-açúcar, a pesquisa trabalhou a milenar arte de compostagem de micro-organismo para enriquecer o solo e as plantas e conquistar números expressivos. Assim, a alternativa ponderou o uso do fósforo no trato do solo com o uso de fertilizante orgânico em substituição ao fosfato, que é sintético e derivado de rocha.  O fósforo foi selecionado por ser o segundo micronutriente mais limitante no cultivo da cana, atrás apenas do nitrogênio.

O resultado foi além do esperado. A variedade usada no primeiro corte – a CTC 24 – que apresenta pelo Centro de Tecnologia Canavieira  (CTC) uma produtividade média de 140 toneladas por hectare, com o uso das técnicas do projeto, saltou para até 160 toneladas. Sendo uma opção mais ecológica do que os métodos utilizados atualmente nas lavouras. Infelizmente, a pesquisa não conseguiu  identificar a questão da descarbonização – uma necessidade presente devido ao RenovaBio- e mais dados sobre produtividade.

A metodologia

O engenheiro agrônomo Antonio Marcos Miranda Silva, integrante do projeto e aluno de doutorado na instituição, conta que o processo foi bem longo e contou com muitas etapas e com uma grande equipe de pesquisadores.

Assim, os testes iniciaram em ambientes controlados, em casa de vegetação, com a produção de dois consórcios de bactérias. Um com psedonomas, azobacter e rizóbio e um segundo com dois tipos de bacilos e rizóbio.  Em outra etapa, usando mudas de cana pré-brotadas, foram adicionados os resíduos da cana e compostos já conhecidos na agricultura. Foram trabalhados três diferentes formatos. Todos com torta de filtro e cinza de caldeira. O primeiro apenas com os resíduos, os outros dois receberam pó de roxa. No segundo foi adicionado fosfato de Araxá e no terceiro fosfato de Boava.

Após 45 dias após a inoculação, foi verificado que  as plantas com maior teor de N, P e K foram que que receberam os bacilos e o rizóbio e o composto com os resíduos.

Com os bons resultados em condições controladas, os pesquisadores realizaram o experimento em campo e observaram o aumento de produtividade com 28 unidades experimentais com variações de 15 a 18 toletes por metro linear. O solo recebeu a adubação nitrogenada e potássica de acordo com a recomendada,  por isso, foram descontados nos cálculos dos pesquisadores as quantidades de cada composto. “A aplicação por hectare  para atender a demanda de fósforo é de 20 toneladas, com o processo reduzimos para dez”,e explica Antonio.

Após 18 dias após a plantação, o concentrado de bactérias também foi aplicado com o apoio de uma bomba costal. Seis meses depois, a equipe coletou amostras do solo dos tratamentos para estudar a dinâmica dos microrganismos. Só após um ano, o experimento foi colhido à mão.

Com isso, foi percebido que todos os cultivos que receberam as bactérias tiverem um aumento na produtividade. “As bactérias já existem no solo e o alimento delas  é gerado durante o processo de industrialização da cana, ou seja, temos um viés totalmente sustentável e que pode ser aplicado em condições reais”, apontou.

O projeto foi financiado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A pesquisa foi desenvolvida com a orientação da professora Elke Cardoso, do Departamento de Ciência do Solo da Esalq/ USP. Também fizeram parte dele os professores Godofredo Cesar Vitti e Rafael Otto, além dos pesquisadores Germán Estrada-Bonilla e Cintia Masuco Lopes.

Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) desenvolveram um software capaz de mapear, de maneira rápida e econômica, porções específicas do genoma de plantas poliploides – aquelas que têm mais de dois conjuntos de cromossomos, como é o caso da cana-de-açúcar. A ferramenta pode ser útil para projetos que visam ao melhoramento genético de plantas de interesse comercial.

O trabalho, apoiado pela Fapesp, foi coordenado por Marcelo Falsarella Carazzolle, do Laboratório de Genômica e bioEnergia (LGE) do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (IB-Unicamp). Os resultados foram divulgados na revista DNA Research.

Como explicou Carazzolle, o genoma da cana-de-açúcar – composto por 10 bilhões de pares de bases, distribuídos entre 100 e 130 cromossomos – é muito difícil de sequenciar pelos métodos genômicos atuais. “Decifrá-lo exige um aparato computacional muito poderoso. Mesmo em se tratando do estado da arte em termos de processamento, ainda assim é difícil, o custo é muito alto. É um desafio para a bioinformática”, disse.

A título de comparação, o genoma humano é composto por 3,2 bilhões de pares de bases espalhadas por 23 pares de cromossomos. O do trigo (Triticum aestivum), outra planta de grande importância comercial, tem 17 bilhões de bases divididas em 21 pares de cromossomos.

Outro fato complica o estudo do genoma da cana-de-açúcar: a espécie hoje cultivada, Saccharum hybridum, é um híbrido criado a partir do cruzamento de duas espécies – Saccharum officinarum, a cana originalmente domesticada na Índia há 3 mil anos, e uma gramínea chamada Saccharum spontaneum.

Há anos laboratórios em vários países têm tentado sem sucesso mapear o genoma completo da Saccharum hybridum. O Projeto Genoma Cana – conhecido como Projeto Fapesp Sucest, por exemplo, mapeou 238 mil fragmentos de genes funcionais da planta.

Há poucos meses, um consórcio que envolve cientistas de vários países, incluindo o Brasil, obteve sucesso em mapear entre 50% e 60% do genoma monoploide da cana (apenas um cromossomo de cada par). O trabalho, publicado na Nature Communications em 2018, teve a participação de Marie-Anne Van Sluys, professora titular do Departamento de Botânica da Universidade de São Paulo (USP) e membro da Coordenação Adjunta de Ciências da Vida da Fapesp.

A estratégia usada pelo consórcio envolveu computação em larga escala e um grande investimento. Já no artigo recém-publicado na DNA Research, Carazzolle e colegas apresentam uma estratégia diferente, muito mais econômica e veloz, capaz de mapear porções específicas do genoma da cana e de plantas poliploides.

O trabalho contou com uma bolsa de doutorado para Karina Yanagui de Almeida e outra de pós-doutorado para Juliana José, ambas orientadas pelo professor Gonçalo Amarante Guimarães Pereira, do IB-Unicamp.

“Conseguimos desenvolver um software para reconstruir esses genomas complexos e aplicá-lo à cana”, disse Carazzolle, que complementa: “Não buscamos montar um genoma completo, como fizeram anteriormente, onde reconstruíram todo o DNA da planta. Nossa estratégia foi focar em pequenas parcelas do genoma, algo entre 1% e 2% do DNA, exatamente onde se encontram os genes de interesse para o melhoramento genômico da planta”.

Com a estratégia, não há necessidade de despender dezenas de milhões de dólares com o mapeamento completo da cana. Quando o trabalho foi realizado, o grupo do consórcio ainda não havia publicado seus resultados, de modo que os geneticistas brasileiros tiveram de usar genomas públicos conhecidos – como do sorgo, do arroz e do milho, que são gramíneas aparentadas em maior ou menor grau da cana – para localizar nas regiões análogas do genoma da cana as porções de DNA que desejavam decifrar.

O trabalho por analogia é possível, uma vez que todas as gramíneas contam com um ancestral comum que viveu há mais de 50 milhões de anos. Em outras palavras, decorrido esse longo período, o DNA de qualquer gramínea atual, seja ela a cana-de-açúcar, o trigo, sorgo, arroz ou milho, ainda preserva a filigrana daquele ancestral original, somada aos bilhões de mutações acumulados desde então.

Montador de genes
O resultado do trabalho feito na Unicamp foi a criação de um software denominado Polyploid Gene Assembler (PGA, ou Montador de Genes Poliploides). “O PGA representa uma nova estratégia para realizar a montagem do espaço genético a partir de genomas complexos usando sequenciamento de DNA de baixa cobertura”, disse Carazzolle.

Se o PGA exige menos poder computacional do que o processamento maciço de um DNA poliploide completo, ainda assim para rodar em tempo hábil o programa necessita de um grande aparato computacional. Para isso, entrou em cena o cluster de máquinas do Centro de Engenharia e Ciências Computacionais (CCES), um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) apoiado pela Fapesp.

Carazzolle é um dos pesquisadores principais do CCES na área de bioinformática. “O trabalho exigiu o emprego dos computadores de alto desempenho e com muita memória existentes no CCES”, disse.

O novo programa PGA usa como referência loci gênicos (locais fixos no cromossomo onde estão localizados os genes de interesse) conhecidos de genomas públicos, a partir dos quais são empregadas estratégias de montagem para construir sequências genômicas de alta qualidade na espécie investigada. A validação do processo foi realizada com trigo, uma espécie hexaploide, usando como referência a cevada (Hordeum vulgare), que resultou na identificação de mais de 90% dos genes, inclusive vários ainda desconhecidos.

Além disso, o PGA foi usado para montar o conteúdo gênico em Saccharum spontaneum, o capim do mesmo gênero da cana-de-açúcar tradicional (Saccharum officinarum), usado na linhagem parental para cultivares híbridos de cana cultivada atualmente (Saccharum hybridum).

“Identificamos um total de 39.234, dos quais 60,4% agrupados em famílias de genes de gramíneas conhecidas. Trinta e sete famílias de genes foram expandidas quando comparadas com outras gramíneas, três delas destacadas pelo número de cópias de genes potencialmente envolvidas no desenvolvimento inicial e resposta ao estresse”, afirma Carazzolle.

De acordo com o pesquisador, os achados do genoma do S. spontaneum destacaram, pela primeira vez, as bases moleculares de algumas características dessa biomassa, como a alta produtividade e a resistência frente ao estresse biótico e abiótico. Agora, ainda segundo ele, os resultados podem ser empregados em futuros estudos funcionais e genéticos, além de apoiar o desenvolvimento de novas variedades de cana-de-açúcar para a indústria agronômica.

“Usando o PGA, fornecemos uma montagem de alta qualidade de regiões gênicas em T. aestivum e S. spontaneum, demonstrando que o PGA pode ser mais eficiente do que estratégias convencionais aplicadas em genomas complexos e usando sequenciamento de DNA de baixa cobertura. O baixo requisito de memória do PGA em comparação com a estratégia de montagem convencional também é uma vantagem”, disse Carazzolle.

O pesquisador ressalta que, mesmo com grandes avanços nas tecnologias de sequenciamento, a montagem de genomas complexos ainda representa um gargalo, principalmente devido à poliploidia e alta heterozigosidade.

De acordo com Carazzolle, o desenvolvimento de novos esforços de bioinformática pode contribuir para a superação dessas restrições, especialmente usando genomas completos dos organismos intimamente relacionados, nos quais os métodos baseados em conjuntos de referência possam ser aplicados. Fapesp.

Especialistas e entidades do setor sucroenergético analisam que a produção global de etanol deve ser 20% menor este ano, à medida que o mercado atravessa a crise gerada pela Covid-19, enquanto a retomada da produção aos níveis pré-pandemia não deve se concretizar até 2022. Segundo Brian D. Healy, diretor de desenvolvimento de mercado global de etanol do Conselho de Grãos dos EUA , cerca de 23 bilhões de litros em produção de etanol foram perdidos em 2020, com o fechamento de mais de 250 usinas de etanol em todo o mundo. A afirmação foi feita durante evento virtual da Datagro.

A produção brasileira de etanol deve totalizar 31,35 bilhões de litros em 2020. O volume representa queda de 16% ante 2019, quando a produção somou 37,38 bilhões de litros. A expectativa de menor produção se deve ao mix menos alcooleiro adotado pelas usinas do Brasil por causa dos efeitos da pandemia de Covid-19.

De acordo com dados da IEA, a produção global de biocombustíveis para transporte atingiu em 2019 o recorde de 162 bilhões de litros, ou 2,8 milhões de barris por dia. Para 2020, estima-se que a produção tenha uma queda de 20 bilhões de litros (13%), voltando aos níveis de 2017. Antes do início da pandemia de COVID-19 era previsto que a produção aumentasse em mais de 5 bilhões de litros (3%) este ano. Isso é consequência da atividade econômica reduzida.

As usinas desenvolvem ações de conscientização com os colaboradores e com a região em que estão inseridas na busca de prevenir incêndios. O tempo seco do inverno, a escassez de chuvas e os fortes ventos propiciam o aumento de casos.

Em Goiás, o Corpo de Bombeiros atendeu no mês de julho deste ano 1.180 ocorrências de incêndio florestal, apenas em canavial foram três. Em janeiro, por exemplo, quando o clima é úmido, foram 54.

A Raízen, com 20 unidades com atividades agrícolas em todo o país, investe aproximadamente R$ 30 milhões por ano em ações preventivas com campanhas de conscientização para o público interno e a externo e no combate aos focos. Segundo Rodrigo Morales, gerente corporativo de operações da Raízen, o foco da empresa é trabalhar com prevenção.

“Cerca de 30% dessa nossa verba é utilizada entre julho e agosto, considerados os meses mais críticos em Goiás e no interior de São Paulo”, explica.

Devido às ações de prevenção, entre abril, maio e junho de 2020, a multinacional já preservou 30 mil toneladas que foram queimadas indevidamente em comparação a 2019. Hoje a produção da Raízen chega a 63 milhões de toneladas de cana.

Inicialmente, a multinacional desenvolvia ações apenas com os colaboradores, por acreditar que eles são agentes de conscientização da comunidade. “Sempre no início das atividades no campo desenvolvemos o Diálogo Diário de Segurança (DDS), que entre os meses de maio a agosto, focamos nessa temática”, explica.

As ações com a comunidade são mais recentes. A Raízen faz atividades em centros comunitários e escolas, com o desenvolvimento de cartilhas para as crianças brincarem e assim, aprenderem sobre a importância da
prevenção aos incêndios.

Já no campo são realizadas mais ações preventivas. Entre elas estão os aceiros, que em caso de focos, evitam a propagação do fogo. Também são feitos após o início das colheitas, o enleiramento com palha. A operação amontoa a palha, deixando espaços de terra entre os montes, permitindo que equipes ganhem tempo.

Além disso, as equipes de combate às chamas ficam posicionadas em locais estratégicos, isso é, em pontos que há um histórico com problemas com incêndios. “Selecionamos locais próximos às rodovias, onde as pessoas descartam lixos. Também nas proximidades de residências, alguns moradores colocam fogo em insetos e no lixo caseiro”. Em Goiás, na cidade de Jataí, a empresa faz testes para o uso de aeronaves no combate aos focos.

A Raízen também investe em câmeras em pontos escolhidos e, em algumas regiões há equipes de ronda nos canaviais. Cada unidade da Raízen tem uma profissionais dedicados ao trabalho de conscientização e de combate. Temos 1100 brigadistas capacitados e 80 caminhões pipas dedicados distribuídas nas unidades em todo o país. Toda a unidade tem um Plano de Auxílio Mútuo Interno que permite proximidade com empresas da região e o Corpo de Bombeiros, em apoio recíproco em caso de necessidade.

Caso de sucesso

A Cooper-Rubi, usina localizada em Goiás, também desenvolve ações preventivas. A unidade registrou queda nas ocorrências de incêndio nos primeiros cinco meses deste ano em relação ao ano passado. Em 2019, a usina atendeu 37 focos, já neste ano, foram apenas três, o que representa uma redução de mais de 91%. Apenas no mês de maio do ano passado foram 18 casos.

Essa boa notícia se deve a ampliação das medidas preventivas desenvolvidas pelo Departamento de Meio Ambiente da unidade. A usina, que antes contava com dois vigilantes de campo, acrescentou mais um na equipe. Agora, são três profissionais que fazem rondas diariamente e também orientam a vizinhança das lavouras.

Ainda para somar há três fiscais de campo que dão todo o suporte necessário às equipes de incêndios, investigando as causas de cada um. Além disso, em caso de fogo acidental ou criminoso, um coordenador operacional – que supervisiona os trabalhos das equipes de combate a incêndios – repassa para  o departamento agrícola as informações referentes às áreas atingidas para que seja feito o boletim de ocorrência. Outa importante ação para todo esse trabalho foi a aquisição de três novos caminhões pipa. Agora, a Cooper-Rubi conta com 15 veículos.

Para conscientizar a população sobre a necessidade de prevenção de incêndios clandestinos ou acidentais que trazem sempre muitos prejuízos e destroem os canaviais, afetando gravemente a fauna e flora da região e prejudicando a qualidade do ar para toda a comunidade, foram instaladas nas áreas rurais, em locais com maior incidência do
problema, placas de alerta contra o uso do fogo.

A usina também realiza campanhas educativas e de conscientização em emissoras de rádio e em suas redes sociais. Esse material foi a plotado nos ônibus que transportam os colaboradores da usina, aumentando a visibilidade da ação.

A tecnologia é uma forte aliada neste trabalho. A empresa utiliza drones para o monitoramento das lavouras com o trabalho de duas equipes de combate a incêndio que ficam à disposição 24 horas.

É importante ressaltar que há diferenças entre queimadas e incêndios. As queimadas são ações controladas em período de safra, sempre com autorização e licença dos órgãos públicos ambientais. Para a realização da ação é necessário que ela aconteça no período da noite e seguindo várias técnicas. As queimadas são processos feitos mediante rigoroso controle e devidamente autorizados pelos órgãos públicos ambientais e mediante o cumprimento de certos requisitos legais. Já os  incêndios são aqueles feitos de forma criminosa ou acidental, que geralmente são descontrolados.

_Canal-Jornal da Bioenergia_

O setor sucroenergético se destaca nos últimos anos na geração renovável de energia, seja pela produção de etanol – que é um combustível menos poluente – seja pela geração de vapor e pela bioeletricidade.

Para aumentar o portfólio de produtos, as usinas agora já trabalham em pesquisa e no desenvolvimento para inserir a geração de biogás e biometano a partir de subprodutos da cana, como vinhaça, torta de filtro outros resíduos do processo de moagem e folhas. O objetivo é gerar novas receitas econômicas, com a injeção de biometano na rede distribuidora de gás, na produção de excedente na cogeração de energia na rede elétrica, ou mesmo para uso próprio, com a substituição de diesel na frota.

De acordo com a o André Elia, Consultor Ambiental e de Recurso Hídrico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), estima-se que a produção de biogás pode aumentar em mais de 10% a produção energética de uma destilaria, somente com o reaproveitamento da vinhaça. “Com o aproveitamento dos demais resíduos esse potencial mais do que dobra. Isso trará certamente uma maior sustentabilidade ambiental ao setor sucroenergético como um todo, podendo em certos casos zerar a pegada de carbono,” explica.

Algumas empresas do setor já estão investindo nesse segmento, utilizando produtos subutilizados do processamento de cana. De acordo com o representante Unica, a tecnologia de produção do biogás e biometano a partir dos resíduos do setor sucroenergético, principalmente da vinhaça, é testada desde a década de 1980, em pesquisas e plantas demonstrativas. “Na época, o setor construiu uma planta demonstrativa de grande escala na Usina São João da Boa Vista, em São Paulo, que produziu biometano para atender a frota de caminhões, em substituição ao diesel. A planta foi desmobilizada anos depois por não trazer competitividade frente ao diesel”, explica.

Outro exemplo, citado por André, é o biodigestor de vinhaça da Usina São Martinho, em São Paulo, que produz biogás para secagem de levedura. Segundo a entidade, várias outras pesquisas foram realizadas, porém a tecnologia, apesar de viável tecnicamente, não apresentou a viabilidade econômica requerida para substituição de combustível fóssil como o diesel ou produção de excedente de eletricidade.

Fontes limpas

Com a valorização da energia renovável grupos associados à Unica têm investido no biogás e no biometado. A Raizen já desenvolve uma planta para geração de energia elétrica na Usina de Bonfim, na cidade de Guariba, localizada no interior de São Paulo. A unidade, que tem uma moagem de aproximadamente 5 milhões de toneladas ao ano, será a primeira em escala comercial no mundo a utilizar a torta de filtro, na geração de energia elétrica por meio do biogás.

O investimento inicial na unidade é de R$150 milhões e terá uma potência instalada de 21 MW para produção de 138.000 MWh/ano de bioeletricidade a partir do biogás dos resíduos agrícolas e industriais da usina. A usina será equipada com dois métodos de produção: o primeiro adotará o sistema de co-digestão da Geo Energética, com utilização de resíduos como torta de filtro, bagaço e palha; o segundo, por sua vez, fará a biodigestão da vinhaça em “lagoas cobertas” a cargo da empresa Sebigas-Cótica.

A biodigestão dos subprodutos da usina de Guariba da Raízen permitirá uma produção de 138 mil MWh por ano, que é suficiente para abastecer, por exemplo, o próprio município e as cidades próximas. Desses, 96 mil MWh serão vendidos no contrato de leilão de 2016, do qual a Raízen foi a vencedora. E o valor excedente deverá ser negociado no mercado livre ou comercializado por meio de outros contratos.

O Grupo Cocal, juntamente com a empresa GasBrasiliano, também anunciou o desenvolvimento de um projeto que visa a produção de biometano a partir dos resíduos da cana-de-açúcar – vinhaça, torta de filtro e palha da cana – na unidade de Narandiba da Cocal, em São Paulo.

O investimento estimado é de R$ 160 milhões, com R$ 130 milhões da usina sucroenergética para a produção do combustível e R$ 30 milhões pela distribuidora para construir 65 quilômetros de rede. A previsão é que a operação comece no segundo semestre de 2020 com a capacidade de ofertar até 67 mil metros cúbicos de biometano por dia.

Em Goiás, a Jalles Machado desenvolve estudos de viabilidade para a produção de biogás na unidade de Goianésia. A empresa planeja produzir através da vinhaça e torta de filtro. O projeto tem previsão inicial para o início de 2021.

Essas são iniciativas que demonstram uma solução importante para o setor no desenvolvimento desse novo produto energético “Hoje, praticamente não há geração de biogás ou biometano pelo setor em grande escala, mas estima-se que só com a vinhaça pode-se produzir cerca de 3,5 bilhões de Nm3 de biometano por ano em 2030 com o RenovaBio”, afirma André. Segundo ele, para que todo esse potencial de energia renovável se viabilize é necessário o desenvolvimento de políticas públicas em paralelo com as iniciativas pontuais de inovações de alguns grupos do setor.

Fonte-Canal-Jornal da Bioenergia

É comum ver grandes máquinas nos canaviais brasileiros, seja no período de colheita, seja durante o plantio ou na renovação. Mas este cenário está mudando em algumas usinas na época de plantio. As usinas estão deixando de lado o plantio por máquinas, voltando no tempo e optando pelo manual. O motivo do regresso é a busca pela melhor qualidade de brotação das sementes ou mudas, que eleva a produtividade e a qualidade da plantação.

A Diana Bioenergia, em Catanduva (SP), é uma das usinas que está apostando no plantio manual. Em 2018 a empresa do interior paulista começou a conciliar o plantio mecanizado com o manual. No ano passado, 30% da área desenvolveu o plantio manual, já este ano subiu para 85%. E, no ano que vem 100% do plantio será manual nas terras próprias. Assim, em 2020, a estimativa é que os três mil hectares da usina usem apenas trabalhadores rurais na plantação. Segundo Lucas Kellner, gerente agrícola da Diana Bioenergia, na última safra a usina colheu 1.228.000 toneladas de cana, mas o resultado do plantio manual será maior no próximo ano. “Em 2020 teremos uma melhor produção que será o reflexo do forte plantio manual que tivemos este ano”, pontua. Atualmente, a área de plantio da Diana Bioenergia é de 23 mil hectares – somando fornecedores, arrendamento e terras próprias. Exemplo: A CRV Industrial, localizada em Rubiataba (GO), já tem 100% do plantio dos canaviais de forma manual. A usina conta com 3.500 hectares de plantação. Segundo o superintendente agrícola, Joaquim Malheiros, a empresa colocou na balança e, há quatro anos, só faz o plantio manual. “Resistimos ao mecanizado e optamos por contratar mais pessoas e ter um plantio de mais qualidade”, revela.

Vantagens
Tanto no interior paulista como no território goiano, as usinas optaram pelo plantio manual devido a confiabilidade na brotação e na redução no uso de sementes e mudas. Para se mensurar, na Diana Bioenergia são usadas dez toneladas de mudas por hectare no plantio manual já no mecanizado sobe para 14 toneladas.
“Com os trabalhadores no campo conseguimos uma cana com melhor brotação, com mais vigor e maior resistência à seca e a pragas. Além de ter mais plantas por hectare já que reduzimos a quantidade de falhas do plantio”, revela Malheiros.

Outra vantagem do retorno do plantio manual é a possibilidade de trabalhar em áreas com relevo mais acidentado. “No final, o custo do plantio mecanizado e manual se equiparam, mas devido a maior qualidade e produtividade optamos pelo segundo”, pontua o superintendente. Kellner afirma que se observou um aumento de 8% de produtividade (TCH) e um acréscimo de 50% em relação à cana que era utilizada para muda. Esse 50% não era transformado em produto. “Com o plantio manual foi observado o ganho que tivemos com a redução de muda, redução de falhas e, consequentemente, aumento de produtividade e assim, a mudança se tornou viável”, relata. Mas ele revela que o plantio mecanizado tem suas vantagens, mas que não superam o manual. De acordo com o profissional, um dos benefícios é em relação ao tempo que o sulco de plantio fica aberto em comparação ao feito artesanalmente. “No mecanizado o sulco é aberto, coloca-se a muda e é fechado simultaneamente, já no manual o sulco pode ficar aberto até 24 horas, com essa situação pode se perder umidade do solo”, expõe.

Mão de obra
Além de aumentar a quantidade de cana moída com uma qualidade melhor da germinação da cana e densidade populacional, outra grande vantagem é a geração de empregos. Em Rubiataba, 400 pessoas da região trabalham no plantio direto entre os meses de janeiro e abril. Após esse período uma parte da mão de obra é aproveitada no corte manual – na unidade cerca de 10% não é mecanizado – ou na irrigação. “Assim, desenvolvemos um trabalho de cunho social e conseguimos manter os postos de trabalho durante o ano inteiro”, afirma Joaquim. No interior paulista 220 pessoas realizam o plantio.

Tradição
Outra vantagem do método antigo é a possibilidade de fazer Meiose (Método Interrotacional Ocorrendo Simultaneamente). Ambas as usinas têm adotado essa prática a fim de acelerar a adoção de novas variedades mais produtivas e modernas, resultando no aumento de produtividade. “Este método contribui ainda mais para a redução do gasto de mudas e melhora da qualidade do nosso plantio”, explica Kellner. Malheiros afirma que atualmente 30% das unidades sucroenergéticas da região Centro-Sul do país realizam este processo que é totalmente manual. Em resumo o método faz o plantio de uma linha de cana e, após um período entre oito a 12 meses, a linha é multiplicada. Canal-Jornal da Bioenergia.

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