Núcleo de Mudas Pré-Brotadas da BP Bunge investe em variedades mais produtivas

Atualmente capaz de produzir cerca de 3,4 milhões de mudas de cana-de-açúcar ao ano, o núcleo de produção de Mudas Pré-Brotadas – MPB, localizado na unidade Moema, em Orindiúva (SP), desenvolve uma série de variedades com foco no aumento da produtividade para atender às 11 unidades da BP Bunge Bioenergia, de acordo com as características geográficas, geológicas e climáticas de cada região.
O plantio com MPB na lavoura da cana-de-açúcar garante sanidade, rastreabilidade e confiança da origem do material, o que resulta em um canavial de alto potencial produtivo. Para introduzir de maneira segura e rápida essas variedades de qualidade elevada, o plantio está direcionado à implantação de linhas mães de meiose.
“Nossas variedades são testadas em cada uma das regiões que temos unidade, e são escolhidas as que melhor se adaptam aos ambientes de produção, garantindo a mais adequada adaptação e, portanto, maior produtividade, que é o nosso principal objetivo”, explica Rogério Bremm, diretor Agrícola da BP Bunge Bioenergia.
O desenvolvimento das mudas é feito com parceiros como o IAC (Instituto Agronômico de Campinas), o CTC (Centro de Tecnologia Canavieira) e a Ridesa (Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento do Setor Sucroenergético), na busca de varietais com características específicas para cada ambiente.
Criado em 2019, o núcleo de MPB já em seu primeiro ano ampliou a produção de mudas em 22%, passando de 2,809 milhões de unidades para 3,424 milhões em 2020. O custo unitário médio das mudas chega a ser até 50% menor do que o praticado pelo mercado.
Reconhecimento
Em novembro de 2020, a unidade Monteverde da BP Bunge Bioenergia, localizada no município de Ponta Porã (MS), recebeu o Prêmio Excelência 2020, concedido pelo Programa Cana – IAC (Instituto Agronômico de Campinas) por seu destaque no manejo de variedades de cana-de-açúcar naquele Estado.

Inverno chega e traz preocupação maior com fogo acidental e criminoso

 

Tempo seco, ventanias e umidade do ar quase sempre em torno dos 12%. Clima típico do inverno em Goiás e que faz aumentar muito a incidência de incêndios rurais, tanto os provocados por ação criminosa como também aqueles acidentais, que na maioria das vezes, são fruto da imprudência.

As 35 usinas sucroenergéticas que atuam no estado fazem um trabalho constante para prevenir e combater os incêndios. São mais de mil colaboradores e cerca de 900 caminhões pipa envolvidos nas ações.  Uma estrutura que implica em elevados investimentos financeiros e de recursos humanos.

As equipes de combate às chamas ficam posicionadas em locais estratégicos, próximos às rodovias, onde as pessoas descartam lixo e jogam tocos de cigarro. Várias usinas usam inclusive aviões e drones neste trabalho preventivo. Todas as usinas possuem brigadas de combate a incêndios com profissionais capacitados e dezenas de caminhões pipas.

“As usinas, em parceria com as unidades do Corpo de Bombeiros e prefeituras, trabalham constantemente para diminuir os prejuízos materiais gerados por esses incêndios criminosos e também para colaborar efetivamente para a preservação de vidas e a conservação da fauna e da flora”, afirma André Rocha, Presidente-Executivo do SIFAEG/SIFAÇUCAR, sindicatos que representam os produtores de etanol, açúcar e bioeletricidade em Goiás.

TECNOLOGIA É ALIADA

Na BP Bunge Bioenergia são 108 caminhões pipas, sendo que em três unidades já foram implementados em 100% da frota caminhões equipados com jato de água automatizados, controlados pelo operador por joystick de dentro da cabine do caminhão, o que evita a exposição do brigadista. “Temos também um sistema de monitoramento de incêndios por imagens de satélite, com acompanhamento em tempo real.” explica Nadia Gama, diretora de HSSE da BP Bunge Bioenergia.

CONSCIENTIZAÇÃO

Na Usina Caçu, no sudoeste goiano, as campanhas de prevenção são constantes e nesta época de seca são intensificadas. Outdoors espalhados pelos municípios da região passam mensagens de alerta para os riscos de incêndios. Além disso, é feito um trabalho diário nos canaviais com patrulhamento constante das fazendas, inclusive com videomonitoramento de longo alcance.

 

Na CRV Industrial, no município de Carmo do Rio Verde, visando conscientizar a população sobre a necessidade de prevenção de incêndios clandestinos ou acidentais, que também prejudicam a qualidade do ar, são instaladas placas de alerta contra o uso do fogo nas áreas rurais, em locais com maior incidência do problema.

RESULTADOS

Na usina Cooper-Rubi, situada em Rubiataba, a ampliação das medidas preventivas desenvolvidas pelo Departamento de Meio Ambiente tem dado resultados positivos. Houve uma queda nas ocorrências de incêndio no último ano na região da usina. Em 2019, foram registradas 164 ocorrências, já em 2020 foram 99, uma redução de 39,63%.

Na Denusa, no Município de Indiara, é feito um mapeamento das áreas de reincidência de incêndio. Além disso, após a colheita, é realizado o enleiramento, amontoando a palha, deixando espaços de terra entre os montes. Isso permite que equipes ganhem tempo se houver necessidade de combater focos de incêndio. Essas medidas também têm resultado em número menor de ocorrências.

 

Todas as 11 unidades da companhia possuem monitoramento por imagens de satélite em tempo real

 

Prevenir é a melhor atitude quando o tema são os riscos de incêndios, especialmente em épocas de tempo seco, característico do período que coincide com o final do outono e o inverno na região Centro-Sul do País, onde estão as 11 unidades agroindustriais da BP Bunge Bioenergia, uma das maiores companhias do Brasil em capacidade de moagem de cana-de-açúcar, de 32 milhões de toneladas ao ano. É por essa razão que a empresa possui um Programa de Prevenção e Combate a Incêndios pelo qual investe tempo, comprometimento dos times e recursos financeiros para que os riscos de incêndios sejam controlados e extintos.

 

Tais iniciativas incluem a aquisição e manutenção de equipamentos e materiais, disponibilização, formação, treinamento regular e gestão de equipes locais, promoção de campanhas internas e externas de prevenção e gestão de sistemas de apoio. Vale destacar que 100% da colheita de cana-de-açúcar da BP Bunge Bioenergia é mecanizada e, por essa razão, a empresa nunca utiliza o fogo no manejo dos canaviais.

 

“Temos  um sistema de monitoramento de incêndios por imagens de satélite, com acompanhamento em tempo real. Dispomos ainda de um projeto na unidade Pedro Afonso, no Estado do Tocantins, onde instalamos torres de observação equipadas com câmeras de alta definição para monitoramento do canavial”, explica Nadia Gama, diretora de HSSE da BP Bunge Bioenergia.

 

A empresa conta com centenas de brigadistas treinados e dedicados 24 horas ao dia, sete dias por semana, ao trabalho de prevenção e combate a incêndios em seus canaviais e instalações de todas as suas unidades. Dispõe de 108 caminhões pipas, sendo que em três unidades já foram implementados em 100% da frota caminhões equipados com jato de água automatizados, controlados pelo operador por joystick de dentro da cabine do caminhão, o que evita a exposição do brigadista.

 

“Há estudos que indicam perda do teor de açúcar das plantas queimadas, o que é um prejuízo. Também há a eliminação da palhada com uma queimada. Esse material orgânico é usado na proteção e recomposição do solo, assim como parte da biomassa seria aproveitada na cogeração de energia elétrica. Fica claro que o uso do fogo na cultura da cana-de-açúcar é ruim não só para a sociedade, como também para a empresa”, esclarece Nadia Gama.

 

“Infelizmente, grande parte dos incêndios ainda está associada ao descuido de algumas pessoas que usam fogo para eliminar restos de poda ou lixo, que lançam ‘bitucas’ de cigarro nas beiras de estrada ou ateiam foco nas áreas com a intenção de abrir passagens e vias clandestinas”, acrescenta a executiva.

 

Prevenção contínua

 

Em relação aos sistemas de prevenção a incêndios, a companhia possui programas que incluem a classificação e avaliação das áreas de risco. Suas equipes atuam em ações preventivas para evitar a ocorrência de incêndios a partir da limpeza regular de áreas próximas a rodovias, de carreadores e aceiros, entre outras.

 

Além disso, as unidades dispõem na área agrícola de postos avançados de combate a incêndios com brigadistas de plantão com caminhões pipa e outros equipamentos posicionados em pontos estratégicos prontos para eventuais deslocamentos de emergência, tudo com apoio de um sistema de navegação online que aponta os melhores caminhos aos condutores para chegarem às áreas de atendimento.

 

A BP Bunge promove também campanhas internas e externas sobre o tema para conscientização de seus cerca de 9.000 colaboradores diretos e 4.000 prestadores de serviços terceirizados, além da população das comunidades onde está presente. A empresa atua ainda em parcerias locais com o Corpo de Bombeiros.

 

Todos os colaboradores dedicados ao trabalho de prevenção e combate a incêndios recebem treinamento regular e têm à disposição EPIs – Equipamentos de Proteção Individual específicos para o combate ao fogo, como macacões antichamas, máscaras de proteção, sobretudos de bombeiros, assim como máscaras com suprimento de oxigênio, entre outros.

 

Como você pode fazer a sua parte?

 

  • Não queime lixo ou folhas secas, descarte-o em local apropriado;
  • Nunca jogue bitucas de cigarro às margens de rodovias;
  • Evite acender fogueiras. Basta uma fagulha para o fogo se alastrar;
  • Não solte balões. É crime previsto na lei 9.605/98;
  • Descarte vidros e latas da forma correta, sua exposição ao sol ou ao calor em contato com folhas secas pode criar uma chama;
  • Cuidado com velas, tochas, lampiões e fogareiros;
  • Verifique as instalações elétricas residenciais para evitar curto-circuitos.

 

Em caso de incêndio na sua região, acione o Corpo de Bombeiros pelo número de emergência 193.

 

Sobre a BP Bunge Bioenergia

A BP Bunge Bioenergia, empresa formada a partir da joint venture das operações de açúcar, etanol e bioeletricidade da bp e da Bunge, está entre as líderes do mercado nacional de bioenergia e açúcar. Presentes nos Estados de Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo e Tocantins, suas 11 unidades agroindustriais têm capacidade de moagem de cerca de 32 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por ano. A empresa ainda é responsável pela gestão de 450 mil hectares de terras dedicadas à produção de cana-de-açúcar. Com aproximadamente 9 mil colaboradores, a BP Bunge Bioenergia está focada em ser referência mundial na produção de energia sustentável. Mais informações em www.bpbunge.com.br.

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A Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento Sucroenergético (Ridesa), formada por acordo de cooperação técnica entre dez universidades federais, está lançando neste ano 21 novas variedades de cana-de-açúcar, matéria-prima para a produção de açúcar, álcool combustível, melaço e biodiesel. Juntas, as dez instituições lideram o mercado e constituem os principais núcleos de pesquisa e desenvolvimento de variedades de cultivo de cana-de-açúcar no Brasil. Criada entre 1990 e 1991, a Ridesa é, atualmente, o núcleo central de pesquisa canavieira do governo federal, no âmbito do Ministério da Educação, desenvolvendo as cultivares denominadas República do Brasil (RB).

A Ridesa substituiu o Programa Nacional de Melhoramento da Cana-de-açúcar (Planalsucar), criado pela União na década de 70, cujo objetivo era promover a melhoria dos rendimentos da cultura, tanto no campo quanto na indústria. As dez universidades federais absorveram as pesquisas, os recursos humanos e técnicos e a infraestrutura do Planalsucar, disse o coordenador do Programa de Melhoramento Genético da Cana-de-Açúcar na Universidade Federal do Paraná (UFPR), professor Ricardo Augusto de Oliveira.

Das 21 variedades que estão sendo lançadas este ano pela Rede, que comemora 30 anos de criação, quatro foram desenvolvidas na UFPR, cinco pela Federal de São Carlos (UFSCar), seis pela Federal de Alagoas (Ufal), uma pela Federal de Goiás (UFG), uma pela Federal de Viçosa (UFV), uma pela Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e três pela Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).

Evolução

Considerando os 50 anos de pesquisa de melhoramento genético, desde a criação do Planalsucar, foram desenvolvidas 114 variedades de cana-de-açúcar no Brasil. O principal volume, estimado em mais de 70 variedades liberadas para o setor agrícola, ocorreu nos últimos 30 anos, já com a Ridesa, salientou Oliveira. “Foi uma sequência de evolução de um trabalho feito a longo prazo.”

Oliveira explicou que, como se trata de uma grande malha de pesquisa espalhada por todo o país, são desenvolvidas variedades para todas as regiões, com as características específicas de manejo e clima. “São variedades desenvolvidas nessas realidades. Então, tem variedades que têm maior teor de sacarose, que são precoces para início de safra; e há variedades mais rústicas, recomendadas para ambientes de mais restrição ambiental, isto é, menor fertilidade do solo, menor disponibilidade hídrica”. Há também variedades de alto poder produtivo em vários locais.

Segundo Oliveira, todas as novas variedades representam algo que está sendo considerado o melhor para cultivo e atendem, em várias lacunas, a demanda dos agricultores, dos produtores de etanol e açúcar.

Quando a Ridesa foi criada, apenas 5% de toda a área com cana-de-açúcar eram cultivados com variedades da sigla RB. Depois de 30 anos de pesquisa, o território que apresenta tais cultivares elevou-se para 60%, incluindo a safra 2020, o que equivale a 8,5 milhões de hectares, conforme estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Isso significa uma contribuição de mais de 12% na matriz energética do Brasil.

Mais cultivadas

De acordo com o professor Ricardo Oliveira, a variedade mais cultivada no país é a RB867515, desenvolvida na Universidade Federal de Viçosa, que pode ser cultivada em vários ambientes rústicos, o que acabou favorecendo a expansão da cultura nos últimos 15 anos. “Passamos de 6 milhões de hectares para 8,5 milhões de hectares”. Segue-se a variedade RB966928, desenvolvida na UFPR, que foi liberada em 2010 e está presente em 14% da área nacional cultivada com cana-de-açúcar.

O processo de melhoramento genético desde o início das pesquisas até a descoberta de uma nova variedade de cana-de-açúcar leva 15 anos, em média. “Tem variedades que levam 18 anos, outras, 12 anos, mas o ciclo médio para fechar um processo de melhoramento genético leva 15 anos”, disse. A UFPR já iniciou a série de pesquisas de 2021, visando ao lançamento de variedades novas daqui a 15 anos. “Estamos no campo, com áreas de experimentação, com diversas séries e milhares de plantas [clones de cana-de-açúcar] sendo testadas para que gente possamos, naquela engrenagem, continuar a indicação de novas variedades.”

Nos últimos 15 anos, a Ridesa tem se programado para fazer liberações nacionais. Em 2010, houve uma grande liberação, com participação das dez universidades que integram a rede; em 2015, foi feita outra; e neste ano, ocorre a terceira liberação nacional que coincide com o período de comemoração dos 30 anos da Ridesa.

A Ridesa é conveniada com 298 usinas no país, o que representa 80% das empresas brasileiras produtoras de cana, açúcar, etanol e bioeletricidade. “A Rede ainda tem diversas ações de transferência de tecnologia para pequenos produtores que geram produtos como açúcar mascavo, aguardente artesanal e alimentação animal”, destacou o professor da UFPR.

Os reitores são conselheiros da Ridesa e, logo em seguida, aparece o supervisor geral, que é eleito a cada dois anos por indicação dos coordenadores das universidades, que atuam, cada uma, em uma área federativa. A UFPR, por exemplo, é responsável pela Região Sul, enquanto a UFSCar atua na região centro-sul, que engloba São Paulo e Mato Grosso do Sul. “E assim vai. Cada universidade tem uma área de abrangência para atuar e desenvolver o Programa de Melhoramento Genético”, concluiu Ricardo Augusto de Oliveira.

Agência Brasil

A mudança no processo de colheita da cana-de-açúcar ocorrida no Brasil nas últimas três décadas foi a principal responsável pela redução de 72,8% nas emissões de gases de efeito estufa (GEE) de 2016, em relação à 2010. Os dados constam do Inventário Nacional de Emissões e Remoções de GEE, um dos componentes da Quarta Comunicação Nacional do Brasil à Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC). O documento, cuja elaboração é coordenada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), foi submetido à UNFCCC em 31 de dezembro de 2020.

Anteriormente, após a colheita manual da cana-de-açúcar, as áreas de cultivo eram queimadas. Esse processo mudou com a adoção da mecanização, que também permitiu aproveitar o palhiço, que são palhas, folhas verdes etc., como proteção natural do solo e adubo, indicando uma modificação no manejo da cultura e adoção de práticas mais conservacionistas.

Segundo dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) de 2019, o Brasil é o maior produtor global de cana-de-açúcar, representando cerca de 40% do volume mundial de colmos (tipo de caule) colhidos em 2018. A maior região produtora é o Sudeste, majoritariamente o estado de São Paulo, na qual está aproximadamente 68% de toda a área canavieira nacional, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2019. Na região também estão localizadas 198 das 361 unidades agroindustriais que processam a cultura.

A cana-de-açúcar e o algodão são as duas culturas avaliadas no subsetor Queima de Resíduos Agrícolas. O processo de pós-colheita do algodão no Brasil parou de utilizar a queima em 1994. Dessa forma, as emissões atuais são apenas provenientes da cana-de-açúcar, que contribuem com um percentual de 0,1% do total de emissões de CO2 equivalente do setor Agropecuária. Ainda assim, a redução nas emissões provenientes de queima de resíduos agrícolas é importante para o segmento sucroenergético, e indica avanços do setor.

Ag. Brasil

Cigarrinha-de-raiz é uma praga que assola os canaviais reduzindo a produtividade em até 80%. Ela é encontrada, praticamente, em todas as regiões canavieiras do Brasil. Este inseto começou a se tornar relevante após o início da mecanização do manejo nos canaviais, com a ausência das queimadas.

Com as máquinas, há o acúmulo de palha que contribuiu para manter a umidade do solo, favorecendo o aumento da população da cigarrinha. A queimada na cana-de-açúcar era uma forma de controle cultural, porém essa tática ainda é realizada apenas em regiões nas quais a queima ainda é permitida, contribuindo para a destruição das formas biológicas da cigarrinha-das-raízes, especialmente dos ovos. “Com a colheita mecanizada, a cobertura vegetal deixada ao solo favorece o ambiente para o desenvolvimento dessa praga”, explica Ana Paula Bonilha, especialista de Desenvolvimento de Produto e Mercado da Ourofino Agrociência.

Mas outros fatores também são associados à ocorrência da praga, como o histórico populacional da área, o manejo realizado,  as variedades de cana-de-açúcar mais suscetíveis e a época de corte do canavial.

Segundo o analista técnico do Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás (Ifag), Alexandro Alves, a mudança no manejo permitiu a proliferação da cigarrinha. “O inseto produz ovos, que se transformam em ninfas. Estas se alimentam das seivas das raízes e das folhas dos canaviais. Além disso, injetam toxinas na planta ocasionando a perda de produtividade”, explica.

O ciclo do inseto inicia no período chuvoso. “Estamos no momento crucial. Em Goiás, por exemplo, o verão é um momento de atenção, pois temos a palhada no canavial, além de uma amplitude térmica alta e umidade relativa o ar também elevada. Todos são fatores e condições favoráveis que propiciam o desenvolvimento do inseto”, revela.

O ciclo

A primeira geração do inseto, apesar de pequena, possui a capacidade de desenvolvimento até a fase adulta, que fará a postura da segunda geração, já em maior quantidade. O pesquisador de Inseticidas da Ourofino Agrociência, Helvio Campoy Costa Junior, complementa que no período chuvoso, podem ser observados os altos níveis populacionais em campo, principalmente na segunda e terceira geração da praga. “Sendo assim, é extremamente importante realizar o controle no início do aparecimento de adultos e ninfas provenientes de ovos sobreviventes da safra anterior (Diapausa)”, explica.

Identificação

A infestação da cigarrinha-da-raiz é identificada pela presença de uma espuma esbranquiçada semelhante à espuma de sabão na planta. Para um controle eficaz, é imprescindível realizar o monitoramento, que deve ser realizado após 15 dias do início do período chuvoso. “Detectar a primeira geração permite um controle mais eficiente e, por isso, ele deve ser mantido durante todo o período de infestação – ou seja, entre os meses de março e abril”, orienta Ana Paula Bonilha.

Para identificar a praga nos canaviais e acompanhar o desenvolvimento populacional, o indicado é que o agricultor realize amostragens nos talhões, em seis pontos por hectare, em dois metros de sulco por ponto. “Quanto maior o número de pontos amostrados, melhor será a representatividade da amostragem frente à população de cigarrinhas no canavial. Essa amostragem é realizada contando o número de formas biológicas – adultos e ninfas – que estão localizadas sob a palha na região das touceiras, sendo assim, é necessário afastar a camada de palha para observar os insetos”, explica Bonilha.

Os canaviais novos sofrem mais com o ataque dessa praga, por isso devem ser priorizados no monitoramento, bem como áreas com histórico de alta infestação de cigarrinhas.

O ataque das cigarrinhas deixa as plantas mais suscetíveis ao acesso de outros organismos. Um bom exemplo são os fungos fitopatogênicos que ocasionam prejuízos diretos – no desenvolvimento da planta – ou indiretos, que comprometem a qualidade da matéria-prima, como a podridão vermelha.

Proteção

Atualmente, os principais métodos utilizados para o manejo de cigarrinha-das-raízes na cultura da cana-de-açúcar são: controle químico, controle cultural, variedades resistentes e controle biológico. Não existe um melhor método, a seleção entre controle químico e biológico está relacionada com o nível de infestação do inseto na área, sendo que, por diversas vezes, há a necessidade de associação dos diferentes métodos de controle. “É importante salientar que ambos os métodos podem ser utilizados em programas de manejo integrado de pragas”, explica Helvio Campoy Costa Junior, Pesquisador de Inseticidas da Ourofino Agrociência.

Alexandro complementa que o controle biológico é realizado com a pulverização do fungo metarhizium, de preferência em ambiente favorável, que é na época chuvosa. “Após este primeiro controle, é importante fazer  novamente uma nova contagem, para identificar os adultos e ninfas e verificar se é necessário outra ação, como a entrada de químicos.

Mas, no entanto, a utilização de cada método demanda um planejamento prévio para garantir o sucesso da ação. “Por exemplo, podemos utilizar inseticidas químicos para controle de adultos e ninfas da praga, retirada ou afastamento da palha, expondo a linha da cana à maior incidência de radiação solar e diminuindo a umidade do solo, o que resulta em condições menos favoráveis ao desenvolvimento de cigarrinhas, variedades que não apresentam grande suscetibilidade ao ataque da praga e, por fim, agentes de controle microbiano como os fungos entomopatogênicos.”, ressalta o pesquisador de Inseticidas. Porém, todos os métodos citados anteriormente são possíveis de serem empregados de maneira integrada e sustentável, mantendo a praga em baixos níveis populacionais.

Canal-Jornal da Bioenergia

O uso de biofertilizantes nos canaviais é cada vez mais uma opção para ajudar na melhoria da produtividade. Afinal, ele permite o melhor desenvolvimento das plantas. A Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN) é um processo pelo qual bactérias transformam o nitrogênio atmosférico em amônia, que é utilizada pelas plantas para se desenvolverem. Enfim, o nitrogênio do ar se torna em alimento, como açúcar, no caso da cana, diminuindo a necessidade de produtos industriais para permitir o enriquecimento do solo.

Várias bactérias que são utilizadas para realizar a FBN também estimulam o crescimento das raízes por meio da produção de hormônios, e isso permite com que os nutrientes do solo possam ser obtidos pela planta com maior facilidade. O objetivo do biofertilizante é proporcionar a redução de custos e reduzir a emissão de gases de efeito estufa sem perda de produtividade.

Milho, trigo e para várias leguminosas como a soja, feijão, amendoim já têm desenvolvidos inoculantes comerciais que atuam na promoção de crescimento da planta, tendo como base bactérias fixadoras de nitrogênio. Agora, a Embrapa Agrobiologia prevê em breve um para a cana-de-açúcar. A expectativa é que o biofertilizante da cana esteja nas prateleiras em um período máximo de cinco anos.

Segundo a pesquisadora da Embrapa Agrobiologia, Verônica Reis, um trabalho recente realizado mostra que plantas de milho inoculadas com determinadas bactérias foram capazes de absorver 50% mais nitrogênio do adubo nitrogenado. “Acredita-se que esse potencial também possa ser atingido na cultura da cana-de-açúcar inoculada, o que ainda é objetivo de estudos em andamento”, explica.

Para o trabalho foram selecionadas cinco bactérias capazes de fixar nitrogênio para a cultura da cana-de-açúcar. “Algumas delas também se mostraram capazes de promover crescimento de raízes, aumentar o perfilhamento e desenvolvimento da planta”, acrescenta Reis.

O uso

A pesquisadora complementa que com o inoculante pretende-se usar bactérias fixadoras de nitrogênio e também promotoras de crescimento, como um produto biológico e eficiente que promova o maior enraizamento das plantas, produção de perfilhos, acúmulo de nutrientes e, em especial nitrogênio, e consequentemente há aumento na produtividade e longevidade dos canaviais.

Assim, será possível a redução das quantidades de adubo atualmente recomendadas para a cultura. O que implica na redução dos custos da produção e no impacto ambiental gerado pelo uso dos adubos nitrogenados. “Mas, mesmo que não haja redução de doses dos adubos, a maior eficiência de utilização dos mesmos pelas plantas inoculadas já representará importante contribuição para reduzir efeitos negativos sobre o ambiente”, pontua a pesquisadora.

O também pesquisador da Embrapa Agrobiologia, Bruno Alves, realça que quanto maior for a redução das quantidades de adubos nitrogenados aplicadas à cana em função do uso do inoculante, maior será a mitigação de emissões de gases de efeito estufa. “A síntese de amônia industrial é um processo que requer energia fóssil – petróleo, gás-, e, por isso, a fabricação de adubo nitrogenado implica em emissão de gás carbônico (CO2) para a atmosfera. Além disso, o adubo nitrogenado depois de aplicado no solo sofre transformações que resultam em produção de óxido nitroso (N2O) que é um potente gás de efeito estufa, com capacidade de aquecimento da atmosfera equivalente a 300 vezes a do gás carbônico”, pontua.  Por isso, o uso de inoculantes pode representar uma importante estratégia na agricultura para reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

Os estudos da Embrapa Agrobiologia são realizados juntamente com o setor privado, que tem interesse na tecnologia para desenvolver um inoculante comercial e testar sua eficácia em plantios comerciais da cana. Canal-Jornal da Bioenergia

www.canalbioenergia.com.br

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