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Pragas

Matéria-prima em risco

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As culturas da soja e cana-de-açúcar são muito importantes na geração de empregos, PIB, fornecimento de matéria-prima para alimentos e bioenergia, além de serem alguns dos principais componentes das exportações do agronegócio. Mas pragas e doenças diminuem a produção e até mesmo podem acabar com uma plantação.
O Gerente Técnico Cana da FMC Agricultural Solutions, Ricardo Werlang, destaca que as culturas agrícolas na região tropical estão submetidas a elevada pressão de pragas e doenças e os sistemas de cultivo oferecem condições adequadas para o desenvolvimento e adaptação destas. “O manejo adequado das pragas e doenças possibilita o desenvolvimento das culturas, produtividade elevada e sustentabilidade dos sistemas de produção agrícola”, explica.
Na soja, matéria-prima do biodiesel, por exemplo, a lagarta Helicoverpa armigera tem gerado preocupação aos agricultores, pois ocasiona uma grande redução de produtividade. A lagarta está presente na maioria das regiões produtoras de grãos do País, mas com maior presença nas regiões Norte e Nordeste.
Os cuidados para prevenir os danos da Helicoverpa armigera estão diretamente ligados ao manejo realizado na cultura, que vai desde o período de entressafra até o período da safra. “O agricultor deve cuidar da evolução da praga durante todo ano e para isso é primordial o monitoramento constante da presença da lagarta nos campos”, explica o gerente de Desenvolvimento Técnico de Mercado da Basf, Sérgio Zambon.
O gerente da Basf destaca que o agricultor deve utilizar todas as ferramentas disponíveis para se proteger dessa praga, como o uso de armadilhas luminosas, controle biológico, controle químico, utilização de inimigos naturais, definição de qual cultivo irá utilizar e até mesmo escolha da época de semeadura.
Os especialistas explicam que as outras espécies de lagartas, coleópteros, que ocorrem frequentemente neste cultivo não são menos importantes. “A Lagarta da soja (Anticarsia gemmatalis) ; Lagarta Falsa Medideira (Chrysodeixis includens); Percevejos (Euschistus heros, Nezara viridula, Piezodorus guildinii, Dichelops sp, Edessa meditabunda); Lagarta elasmo (Elasmopalpus lignosellus); Lagarta spodoptera, (Spodoptera eridania, S. frugiperda, Spodoptera sp); Lagarta das maçãs (Heliothis virescens);Coros (Phyllophaga cuyabana, Liogenys fuscus); Ácaros (Tetranychus urticae); Mosca Branca (Bemisia sp) também merecem a atenção do produtor”, explica o gerente técnico da FMC.

Defensivos
Com o aparecimento da Helicoverpa armigera, uma série de ações foi tomada para se controlar essa praga, como a mudança na forma de manejo das culturas.
A Basf, por exemplo, desenvolveu em caráter emergencial o Pirate® (clorfenapyr), um inseticida químico de alta performance que deve ser usado juntamente com os demais métodos de controle.
A FMC está desenvolvendo tecnologias para o manejo da dessa lagarta nas culturas agrícolas unindo o manejo integrado e monitoramento da população de adultos com o Feromoneo Plato. Para o controle de lagartas neonatas a indicação é o Dipel e para o controle de lagartas até o segundo instar (ciclo de crescimento) são indicados os inseticidas Talstar, Mustang, Hero e Talisman.

Sphenophorus na cana
Já na cana-de-açúcar, matéria-prima do etanol, a praga Sphenophorus levis merece destaque. Para o consultor da Datagro Alta Performance, Otávio Tufi, essa é a pior praga dos últimos tempos. A gerente de Marketing para cultivo de cana- de-açúcar das Basf, Carulina Oliveira, concorda, já que ela pode causar danos tanto em cana planta como em cana soca.
O Gerente Técnico Cana da FMC, Ricardo Camara Werlang, explica que o Sphenophorus levis é uma praga em destaque na cultura da cana, pela sua velocidade de dispersão, área de ocorrência e danos ocasionados na cultura.
A disseminação do Sphenophorus levis se dá por meio das mudas, presentes no rizoma. A larva penetra em busca de alimento e abrigo e constrói galerias, onde permanece de 30 a 60 dias, bloqueando a parte basal das plantas e rizomas, o que provoca o amarelecimento do canavial, morte das plantas e falhas nas soqueiras.
Assim, os danos se refletem no número, tamanho e diâmetro de colmos finais para a colheita. “As perdas de produtividade de 20 a 30 toneladas por hectare são observadas facilmente em talhões com 50 a 60% de perfilhos atacados”, explica o Gerente Técnico Cana da FMC.
O consultor da Datagro Alta Performance, Otávio Tufi, explica que esta praga requer cuidados especiais com a sanidade dos viveiros de muda, já que o uso de mudas infectadas é o principal meio de disseminação. A forma mais correta de prevenção é o uso de mudas isentas da praga.
Também se faz necessário que todos os equipamentos e máquinas agrícolas sejam lavados sempre que houver mudança do local de trabalho, como também a retirada da palha residual da colheita dos carreadores para mitigar a disseminação.
“Desde que detectada a praga é necessária a realização de levantamentos anuais, trazendo, com isto, incremento no custo de produção da cana-de-açúcar.” Com frequência é necessário o uso de defensivos agrícola nas várias socas. No ato da reforma recomenda-se a utilização do eliminador de soqueira, com o intuito de triturar a soqueira, expondo a praga à ação dos raios solares e inimigos naturais, complementa Tufi.
Mas o cuidado deve ser maior quando a infestação é intensa. Nesse estágio é preciso eliminar a soqueira, por meio de uma aração nas linhas de plantio, para expor as larvas à ação dos raios solares e inimigos naturais. Posteriormente a esse processo, a ação deve ser continuada com o uso da enxada rotativa com o objetivo de triturar e acelerar a seca do material. A época correta para renovar as áreas é entre junho e setembro, quando as larvas estão devorando a cana. “Desde que detectada a praga é necessário a realização de levantamentos anuais, trazendo, com isto, incremento no custo de produção da cana-de-açúcar”, complementa Tufi.

Cuidados
Para controle de Sphenophorus a Basf disponibiliza os produtos Regent® Duo e a FMC o Talisman. O primeiro foi lançado em 2013 e, segundo a empresa, o inseticida possui dois ativos que proporcionam ação de choque e longo residual, controlando mais de uma geração durante o ano e proporcionando efeitos agregados na broca da cana.
Já o Talisman tem uma rápida ação no controle desta praga e proporciona melhor sanidade da cultura. Sua ação, que se estende a várias fases de desenvolvimento da praga, aumenta a abrangência da ação no controle.

Avanços das pragas
Para Otávio Tufi, o avanço das pragas se deve a uma sequência de mudanças no sistema de colheita e plantio. “A colheita mecanizada, com a ausência da queima, e o plantio mecanizado resultaram em alterações significativas no ecossistema de produção da cana-de-açúcar, propiciando o surgimento de condições ao desenvolvimento e disseminação de pragas e doenças, até então, de menor importância nas condições de colheita da cana queimada e de plantio manual, como o Sphenophorus levis, a cigarrinha da raiz e as ferrugens marrom e alaranjada”, ressalta o consultor da Datagro.

Canal- Jornal da Bioenergia

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