Cigarrinha-de-raiz é grave ameaça

Cigarrinha-de-raiz é uma praga que assola os canaviais reduzindo a produtividade em até 80%. Ela é encontrada, praticamente, em todas as regiões canavieiras do Brasil. Este inseto começou a se tornar relevante após o início da mecanização do manejo nos canaviais, com a ausência das queimadas.

Com as máquinas, há o acúmulo de palha que contribuiu para manter a umidade do solo, favorecendo o aumento da população da cigarrinha. A queimada na cana-de-açúcar era uma forma de controle cultural, porém essa tática ainda é realizada apenas em regiões nas quais a queima ainda é permitida, contribuindo para a destruição das formas biológicas da cigarrinha-das-raízes, especialmente dos ovos. “Com a colheita mecanizada, a cobertura vegetal deixada ao solo favorece o ambiente para o desenvolvimento dessa praga”, explica Ana Paula Bonilha, especialista de Desenvolvimento de Produto e Mercado da Ourofino Agrociência.

Mas outros fatores também são associados à ocorrência da praga, como o histórico populacional da área, o manejo realizado,  as variedades de cana-de-açúcar mais suscetíveis e a época de corte do canavial.

Segundo o analista técnico do Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás (Ifag), Alexandro Alves, a mudança no manejo permitiu a proliferação da cigarrinha. “O inseto produz ovos, que se transformam em ninfas. Estas se alimentam das seivas das raízes e das folhas dos canaviais. Além disso, injetam toxinas na planta ocasionando a perda de produtividade”, explica.

O ciclo do inseto inicia no período chuvoso. “Estamos no momento crucial. Em Goiás, por exemplo, o verão é um momento de atenção, pois temos a palhada no canavial, além de uma amplitude térmica alta e umidade relativa o ar também elevada. Todos são fatores e condições favoráveis que propiciam o desenvolvimento do inseto”, revela.

O ciclo

A primeira geração do inseto, apesar de pequena, possui a capacidade de desenvolvimento até a fase adulta, que fará a postura da segunda geração, já em maior quantidade. O pesquisador de Inseticidas da Ourofino Agrociência, Helvio Campoy Costa Junior, complementa que no período chuvoso, podem ser observados os altos níveis populacionais em campo, principalmente na segunda e terceira geração da praga. “Sendo assim, é extremamente importante realizar o controle no início do aparecimento de adultos e ninfas provenientes de ovos sobreviventes da safra anterior (Diapausa)”, explica.

Identificação

A infestação da cigarrinha-da-raiz é identificada pela presença de uma espuma esbranquiçada semelhante à espuma de sabão na planta. Para um controle eficaz, é imprescindível realizar o monitoramento, que deve ser realizado após 15 dias do início do período chuvoso. “Detectar a primeira geração permite um controle mais eficiente e, por isso, ele deve ser mantido durante todo o período de infestação – ou seja, entre os meses de março e abril”, orienta Ana Paula Bonilha.

Para identificar a praga nos canaviais e acompanhar o desenvolvimento populacional, o indicado é que o agricultor realize amostragens nos talhões, em seis pontos por hectare, em dois metros de sulco por ponto. “Quanto maior o número de pontos amostrados, melhor será a representatividade da amostragem frente à população de cigarrinhas no canavial. Essa amostragem é realizada contando o número de formas biológicas – adultos e ninfas – que estão localizadas sob a palha na região das touceiras, sendo assim, é necessário afastar a camada de palha para observar os insetos”, explica Bonilha.

Os canaviais novos sofrem mais com o ataque dessa praga, por isso devem ser priorizados no monitoramento, bem como áreas com histórico de alta infestação de cigarrinhas.

O ataque das cigarrinhas deixa as plantas mais suscetíveis ao acesso de outros organismos. Um bom exemplo são os fungos fitopatogênicos que ocasionam prejuízos diretos – no desenvolvimento da planta – ou indiretos, que comprometem a qualidade da matéria-prima, como a podridão vermelha.

Proteção

Atualmente, os principais métodos utilizados para o manejo de cigarrinha-das-raízes na cultura da cana-de-açúcar são: controle químico, controle cultural, variedades resistentes e controle biológico. Não existe um melhor método, a seleção entre controle químico e biológico está relacionada com o nível de infestação do inseto na área, sendo que, por diversas vezes, há a necessidade de associação dos diferentes métodos de controle. “É importante salientar que ambos os métodos podem ser utilizados em programas de manejo integrado de pragas”, explica Helvio Campoy Costa Junior, Pesquisador de Inseticidas da Ourofino Agrociência.

Alexandro complementa que o controle biológico é realizado com a pulverização do fungo metarhizium, de preferência em ambiente favorável, que é na época chuvosa. “Após este primeiro controle, é importante fazer  novamente uma nova contagem, para identificar os adultos e ninfas e verificar se é necessário outra ação, como a entrada de químicos.

Mas, no entanto, a utilização de cada método demanda um planejamento prévio para garantir o sucesso da ação. “Por exemplo, podemos utilizar inseticidas químicos para controle de adultos e ninfas da praga, retirada ou afastamento da palha, expondo a linha da cana à maior incidência de radiação solar e diminuindo a umidade do solo, o que resulta em condições menos favoráveis ao desenvolvimento de cigarrinhas, variedades que não apresentam grande suscetibilidade ao ataque da praga e, por fim, agentes de controle microbiano como os fungos entomopatogênicos.”, ressalta o pesquisador de Inseticidas. Porém, todos os métodos citados anteriormente são possíveis de serem empregados de maneira integrada e sustentável, mantendo a praga em baixos níveis populacionais.

Canal-Jornal da Bioenergia

O uso de biofertilizantes nos canaviais é cada vez mais uma opção para ajudar na melhoria da produtividade. Afinal, ele permite o melhor desenvolvimento das plantas. A Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN) é um processo pelo qual bactérias transformam o nitrogênio atmosférico em amônia, que é utilizada pelas plantas para se desenvolverem. Enfim, o nitrogênio do ar se torna em alimento, como açúcar, no caso da cana, diminuindo a necessidade de produtos industriais para permitir o enriquecimento do solo.

Várias bactérias que são utilizadas para realizar a FBN também estimulam o crescimento das raízes por meio da produção de hormônios, e isso permite com que os nutrientes do solo possam ser obtidos pela planta com maior facilidade. O objetivo do biofertilizante é proporcionar a redução de custos e reduzir a emissão de gases de efeito estufa sem perda de produtividade.

Milho, trigo e para várias leguminosas como a soja, feijão, amendoim já têm desenvolvidos inoculantes comerciais que atuam na promoção de crescimento da planta, tendo como base bactérias fixadoras de nitrogênio. Agora, a Embrapa Agrobiologia prevê em breve um para a cana-de-açúcar. A expectativa é que o biofertilizante da cana esteja nas prateleiras em um período máximo de cinco anos.

Segundo a pesquisadora da Embrapa Agrobiologia, Verônica Reis, um trabalho recente realizado mostra que plantas de milho inoculadas com determinadas bactérias foram capazes de absorver 50% mais nitrogênio do adubo nitrogenado. “Acredita-se que esse potencial também possa ser atingido na cultura da cana-de-açúcar inoculada, o que ainda é objetivo de estudos em andamento”, explica.

Para o trabalho foram selecionadas cinco bactérias capazes de fixar nitrogênio para a cultura da cana-de-açúcar. “Algumas delas também se mostraram capazes de promover crescimento de raízes, aumentar o perfilhamento e desenvolvimento da planta”, acrescenta Reis.

O uso

A pesquisadora complementa que com o inoculante pretende-se usar bactérias fixadoras de nitrogênio e também promotoras de crescimento, como um produto biológico e eficiente que promova o maior enraizamento das plantas, produção de perfilhos, acúmulo de nutrientes e, em especial nitrogênio, e consequentemente há aumento na produtividade e longevidade dos canaviais.

Assim, será possível a redução das quantidades de adubo atualmente recomendadas para a cultura. O que implica na redução dos custos da produção e no impacto ambiental gerado pelo uso dos adubos nitrogenados. “Mas, mesmo que não haja redução de doses dos adubos, a maior eficiência de utilização dos mesmos pelas plantas inoculadas já representará importante contribuição para reduzir efeitos negativos sobre o ambiente”, pontua a pesquisadora.

O também pesquisador da Embrapa Agrobiologia, Bruno Alves, realça que quanto maior for a redução das quantidades de adubos nitrogenados aplicadas à cana em função do uso do inoculante, maior será a mitigação de emissões de gases de efeito estufa. “A síntese de amônia industrial é um processo que requer energia fóssil – petróleo, gás-, e, por isso, a fabricação de adubo nitrogenado implica em emissão de gás carbônico (CO2) para a atmosfera. Além disso, o adubo nitrogenado depois de aplicado no solo sofre transformações que resultam em produção de óxido nitroso (N2O) que é um potente gás de efeito estufa, com capacidade de aquecimento da atmosfera equivalente a 300 vezes a do gás carbônico”, pontua.  Por isso, o uso de inoculantes pode representar uma importante estratégia na agricultura para reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

Os estudos da Embrapa Agrobiologia são realizados juntamente com o setor privado, que tem interesse na tecnologia para desenvolver um inoculante comercial e testar sua eficácia em plantios comerciais da cana. Canal-Jornal da Bioenergia

www.canalbioenergia.com.br

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