Rede de universidades federais lança 21 variedades de cana-de-açúcar

A Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento Sucroenergético (Ridesa), formada por acordo de cooperação técnica entre dez universidades federais, está lançando neste ano 21 novas variedades de cana-de-açúcar, matéria-prima para a produção de açúcar, álcool combustível, melaço e biodiesel. Juntas, as dez instituições lideram o mercado e constituem os principais núcleos de pesquisa e desenvolvimento de variedades de cultivo de cana-de-açúcar no Brasil. Criada entre 1990 e 1991, a Ridesa é, atualmente, o núcleo central de pesquisa canavieira do governo federal, no âmbito do Ministério da Educação, desenvolvendo as cultivares denominadas República do Brasil (RB).

A Ridesa substituiu o Programa Nacional de Melhoramento da Cana-de-açúcar (Planalsucar), criado pela União na década de 70, cujo objetivo era promover a melhoria dos rendimentos da cultura, tanto no campo quanto na indústria. As dez universidades federais absorveram as pesquisas, os recursos humanos e técnicos e a infraestrutura do Planalsucar, disse o coordenador do Programa de Melhoramento Genético da Cana-de-Açúcar na Universidade Federal do Paraná (UFPR), professor Ricardo Augusto de Oliveira.

Das 21 variedades que estão sendo lançadas este ano pela Rede, que comemora 30 anos de criação, quatro foram desenvolvidas na UFPR, cinco pela Federal de São Carlos (UFSCar), seis pela Federal de Alagoas (Ufal), uma pela Federal de Goiás (UFG), uma pela Federal de Viçosa (UFV), uma pela Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e três pela Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).

Evolução

Considerando os 50 anos de pesquisa de melhoramento genético, desde a criação do Planalsucar, foram desenvolvidas 114 variedades de cana-de-açúcar no Brasil. O principal volume, estimado em mais de 70 variedades liberadas para o setor agrícola, ocorreu nos últimos 30 anos, já com a Ridesa, salientou Oliveira. “Foi uma sequência de evolução de um trabalho feito a longo prazo.”

Oliveira explicou que, como se trata de uma grande malha de pesquisa espalhada por todo o país, são desenvolvidas variedades para todas as regiões, com as características específicas de manejo e clima. “São variedades desenvolvidas nessas realidades. Então, tem variedades que têm maior teor de sacarose, que são precoces para início de safra; e há variedades mais rústicas, recomendadas para ambientes de mais restrição ambiental, isto é, menor fertilidade do solo, menor disponibilidade hídrica”. Há também variedades de alto poder produtivo em vários locais.

Segundo Oliveira, todas as novas variedades representam algo que está sendo considerado o melhor para cultivo e atendem, em várias lacunas, a demanda dos agricultores, dos produtores de etanol e açúcar.

Quando a Ridesa foi criada, apenas 5% de toda a área com cana-de-açúcar eram cultivados com variedades da sigla RB. Depois de 30 anos de pesquisa, o território que apresenta tais cultivares elevou-se para 60%, incluindo a safra 2020, o que equivale a 8,5 milhões de hectares, conforme estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Isso significa uma contribuição de mais de 12% na matriz energética do Brasil.

Mais cultivadas

De acordo com o professor Ricardo Oliveira, a variedade mais cultivada no país é a RB867515, desenvolvida na Universidade Federal de Viçosa, que pode ser cultivada em vários ambientes rústicos, o que acabou favorecendo a expansão da cultura nos últimos 15 anos. “Passamos de 6 milhões de hectares para 8,5 milhões de hectares”. Segue-se a variedade RB966928, desenvolvida na UFPR, que foi liberada em 2010 e está presente em 14% da área nacional cultivada com cana-de-açúcar.

O processo de melhoramento genético desde o início das pesquisas até a descoberta de uma nova variedade de cana-de-açúcar leva 15 anos, em média. “Tem variedades que levam 18 anos, outras, 12 anos, mas o ciclo médio para fechar um processo de melhoramento genético leva 15 anos”, disse. A UFPR já iniciou a série de pesquisas de 2021, visando ao lançamento de variedades novas daqui a 15 anos. “Estamos no campo, com áreas de experimentação, com diversas séries e milhares de plantas [clones de cana-de-açúcar] sendo testadas para que gente possamos, naquela engrenagem, continuar a indicação de novas variedades.”

Nos últimos 15 anos, a Ridesa tem se programado para fazer liberações nacionais. Em 2010, houve uma grande liberação, com participação das dez universidades que integram a rede; em 2015, foi feita outra; e neste ano, ocorre a terceira liberação nacional que coincide com o período de comemoração dos 30 anos da Ridesa.

A Ridesa é conveniada com 298 usinas no país, o que representa 80% das empresas brasileiras produtoras de cana, açúcar, etanol e bioeletricidade. “A Rede ainda tem diversas ações de transferência de tecnologia para pequenos produtores que geram produtos como açúcar mascavo, aguardente artesanal e alimentação animal”, destacou o professor da UFPR.

Os reitores são conselheiros da Ridesa e, logo em seguida, aparece o supervisor geral, que é eleito a cada dois anos por indicação dos coordenadores das universidades, que atuam, cada uma, em uma área federativa. A UFPR, por exemplo, é responsável pela Região Sul, enquanto a UFSCar atua na região centro-sul, que engloba São Paulo e Mato Grosso do Sul. “E assim vai. Cada universidade tem uma área de abrangência para atuar e desenvolver o Programa de Melhoramento Genético”, concluiu Ricardo Augusto de Oliveira.

Agência Brasil

Responsável por prejuízos estimados em R$ 5 bilhões a cada safra, a maior ameaça à cultura da cana-de-açúcar no Brasil é um inseto-praga com pouco mais de 20 milímetros de comprimento: a mariposa Diatraea saccharalis em sua fase larval, mais conhecida como broca-da-cana. Para combatê-la, a empresa paulista PangeiaBiotech utiliza organismos ainda menores e ferramentas da engenharia genética. A startup desenvolve variedades de cana transgênica que associam a expressão de duas proteínas bioinseticidas da bactéria Bacillus thuringiensis (Bt) com um gene extraído de outro microrganismo, Agrobacterium sp., que confere maior tolerância ao herbicida glifosato. Genes da bactéria Bt são empregados em processos de transgenia de diversas plantas visando ao controle biológico de pragas há mais de duas décadas.

Batizada de BtRR, a tecnologia foi desenvolvida com apoio do programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe) da FAPESP, da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que está realizando testes em seus campos experimentais de Brasília. O próximo passo é encontrar parceiros comerciais interessados no licenciamento da tecnologia. A intenção da startup é lançar a primeira variedade no mercado até o plantio da safra 2022/23. “Esperamos ter 20% da área plantada do Brasil com nossas canas transgênicas até 2030”, estima o engenheiro-agrônomo Paulo Cezar de Lucca, idealizador do projeto e da empresa, criada em 2015.

A tolerância ao glifosato é inovadora na cultura de cana. O agricultor poderá usar menos defensivo na produção

A cana transgênica da startup, abrigada na Incubadora de Empresas de Base Tecnológica (Incamp) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), não é a primeira do país. O pioneirismo coube à variedade CTC20BT, nascida nos laboratórios do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), entidade mantida por produtores e empresas do setor sucroenergético em Piracicaba (SP). A CTC20BT foi aprovada em 2017 pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), instituição que avalia organismos geneticamente modificados (OGM). No ano seguinte, o CTC teve a segunda variedade transgênica aprovada: CTC9001BT. Essas duas variedades também empregam um gene da bactéria Bt, cuja finalidade é expressar uma proteína do grupo Cry, de ação bioinseticida. Ao serem ingeridas pela praga, as proteínas ligam-se a receptores do intestino do inseto, causando danos no sistema digestivo que são fatais.

As novas variedades da PangeiaBiotech dão um passo adiante na evolução tecnológica da cana ao utilizar duas proteínas Cry diferentes. “A dupla transgenia já existia em culturas como as do milho e da soja. Estamos agora trazendo para a cana”, esclarece de Lucca. Para o agrônomo Hugo Molinari, pesquisador da Embrapa Agroenergia e participante do projeto, o emprego de duas proteínas com propriedades inseticidas proporciona maior durabilidade à tecnologia, reduzindo o risco de evolução de resistência.

Além da dupla transgenia, as variedades desenvolvidas pela startup paulista incorporam o gene cp4-epsps da Agrobacterium sp., tolerante ao herbicida glifosato. A bactéria é encontrada naturalmente no solo. “A resistência ao glifosato é inovadora na cultura de cana. O agricultor passará a usar menos defensivo na produção. Não há no mercado cana resistente simultaneamente à broca-da-cana e ao herbicida glifosato”, destaca de Lucca.

Ele explica que atualmente o produtor precisa combater as plantas daninhas fazendo aplicações de herbicida entre as linhas de cana, com muito cuidado, pois o produto pode danificar a lavoura. Nesse trabalho, utilizam-se tratores, numa operação demorada e cara, sobretudo devido ao custo do óleo diesel. “Se a cana for resistente ao herbicida, o produtor pode fazer pulverização aérea, economizando combustível”, diz o criador da PangeiaBiotech. Também há economia de defensivos, afirma Molinari.

Outra inovação em desenvolvimento da PangeiaBiotech é a produção de cana transgênica que, além da resistência à broca e ao glifosato, será resistente ao besouro Sphenophorus levis, conhecido como bicudo. “Com a mecanização, a cana passou a ser colhida crua — e não mais por meio da queima do canavial –, o que aumentou a incidência de pragas, entre elas Sphenophorus e a cigarrinha. Elas morriam quando se queimava a plantação; agora se alojam na palhada e se multiplicam”, explica Molinari. Segundo o pesquisador, os prejuízos causados pelo bicudo são estimados em R$ 2 bilhões por ano no Brasil e ainda não há controle químico ou biológico de grande eficiência.

Quando tiver colocado as variedades BtRR no mercado, a PangeiaBiotech terá consolidado uma mudança em seu modelo de negócio. Segundo de Lucca, o propósito inicial da empresa era oferecer serviços de transformação genética de plantas, dentro do conceito norte-americano de Plant Transformation Facility, que ainda não existia no Brasil. “Esse projeto se concretizou. Já atendemos cerca de 25 centros de pesquisa no Brasil. Eles enviam o gene de interesse e devolvemos as plantas modificadas quatro meses depois. Dessa forma, o pesquisador pode focar na descoberta de novos genes e ver a resposta de sua teoria em pouco tempo”, conta de Lucca. Além da cana, a startup realiza transformação genética de tabaco, tomate e milho.

Em 2017, da relação da empresa com a Embrapa Agroenergia, na época um de seus clientes, nasceu o projeto de cana com dupla transgenia e uma mudança no plano de negócio. “A parceria com a Embrapa nos permitiu dar um grande salto. Agora, a ideia é produzir nossas próprias variedades”, planeja de Lucca. O empresário pretende continuar a prestação de serviços.

Entre os clientes, estão o Centro de Biologia Molecular e Engenharia Genética (CBMEG) da Unicamp, o Centro de Cana do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e a Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento do Setor Sucroenergético (Ridesa), que reúne 10 universidades federais. Segundo Monalisa Sampaio Carneiro, professora do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), que integra a rede, a Ridesa é responsável pelo desenvolvimento de mais da metade das variedades cultivadas no país, que são obtidas por técnicas de melhoramento genético, ou seja, pelo cruzamento de variedades de plantas. Agora, a Ridesa recorre aos serviços de transformação da PangeiaBiotech para a obtenção de versões transgênicas de suas variedades. “Recebendo a planta já transformada geneticamente pela PangeiaBiotech, pesquisadores e empresas que trabalham com melhoramento de cana podem economizar até dois anos em suas pesquisas”, afirma a pesquisadora.

José Antônio Bressiani, engenheiro-agrônomo e diretor agrícola da empresa de biotecnologia GranBio, também contou com os serviços da PangeiaBiotech para o desenvolvimento de uma variedade de cana-energia transgênica, atualmente em testes de campo. Mais rústica e com maior teor de fibras, a cana-energia é utilizada para a produção de etanol de segunda geração, obtido da palha e do bagaço. As variedades comercializadas foram criadas por meio de melhoramento genético. Agora, a empresa planeja lançar uma cana-energia transgênica, com resistência à broca e a herbicida — o projeto conta, igualmente, com a participação da PangeiaBiotech. Paralelamente, desenvolve outra variedade de cana-energia transgênica, com genes para resistência à seca e para aumento de biomassa, pesquisa apoiada pela FAPESP.

Para o engenheiro-agrônomo Gonçalo Amarante Guimarães Pereira, do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp, startups como a PangeiaBiotech podem ter um papel-chave no desenvolvimento do setor sucroenergético brasileiro, com foco no mercado mundial de biocombustíveis. “Pequenas e ágeis, as startups têm grande capacidade de inovar”, destaca.

Coordenador do Laboratório de Genômica e Expressão da Unicamp desde sua criação, em 1997, e cientista-chefe da GranBio entre 2012 e 2016, Pereira observa que, nos últimos anos, o melhoramento genético da cana não tem garantido os saltos de produtividade observados em outras culturas, como milho, soja e trigo, após o desenvolvimento de variedades transgênicas. “Existe um limite para o melhoramento genético tradicional”, explica o pesquisador. “Uma nova planta demora cerca de 10 anos para ser produzida, enquanto uma nova variante de um microrganismo capaz de atacá-la pode surgir em dias.” Com a transgenia, afirma Pereira, é possível desenvolver variedades resistentes — e, portanto, mais produtivas — a novas doenças em menor tempo quando comparado ao trabalho de melhoramento genético convencional.

Embora existam centenas de variedades de cana criadas conforme as diferentes condições de clima e solo — das quais cerca de 20 dominam o mercado –, a produtividade tem se mantido mais ou menos estável nos últimos anos. A PangeiaBiotech espera contribuir para a mudança desse cenário um quarto de século depois do surgimento das primeiras variedades Bt nas lavouras de milho e algodão norte-americanas.

Há uma explicação comercial e outra científica para esse atraso, na opinião dos pesquisadores. Molinari, da Embrapa Agroenergia, diz que a cultura de cana-de-açúcar, embora importante para nossa matriz energética, não representa um mercado grande o suficiente para interessar multinacionais a investir em pesquisa. “A cultura de cana não é global; seu plantio é restrito aos trópicos. Diante do mercado gigante da soja ou trigo, ela é pequena.”

A justificativa científica deriva da própria complexidade do objeto de estudo. “O genoma da cana é muito mais complexo e extenso do que o de outras plantas”, destaca o biólogo Michael dos Santos Brito, do Instituto de Ciência e Tecnologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Não por acaso, foi apenas no final de 2019 que se concluiu o sequenciamento mais completo do genoma da planta: 373.869 genes mapeados, correspondendo a 99,1% do total (ver Pesquisa FAPESP no 286).

O sequenciamento foi resultado do Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (Bioen), lançado em 2008 para estimular a produção de bioenergia no Brasil. É também no âmbito do Bioen que Brito desenvolve um projeto para identificar e caracterizar novos promotores de cana, sequências do DNA responsáveis por regular a expressão do gene. Com esse projeto, ele pretende criar um banco de dados que possa ser útil a pesquisas posteriores. “A cana-de-açúcar não é uma planta simples; são necessários muitos recursos para sua pesquisa. Precisamos aproveitar o know-how que desenvolvemos até agora e que nos coloca à frente do mundo inteiro”, sentencia.

Agência Fapesp

As usinas desenvolvem ações de conscientização com os colaboradores e com a região em que estão inseridas na busca de prevenir incêndios. O tempo seco do inverno, a escassez de chuvas e os fortes ventos propiciam o aumento de casos.

Em Goiás, o Corpo de Bombeiros atendeu no mês de julho deste ano 1.180 ocorrências de incêndio florestal, apenas em canavial foram três. Em janeiro, por exemplo, quando o clima é úmido, foram 54.

A Raízen, com 20 unidades com atividades agrícolas em todo o país, investe aproximadamente R$ 30 milhões por ano em ações preventivas com campanhas de conscientização para o público interno e a externo e no combate aos focos. Segundo Rodrigo Morales, gerente corporativo de operações da Raízen, o foco da empresa é trabalhar com prevenção.

“Cerca de 30% dessa nossa verba é utilizada entre julho e agosto, considerados os meses mais críticos em Goiás e no interior de São Paulo”, explica.

Devido às ações de prevenção, entre abril, maio e junho de 2020, a multinacional já preservou 30 mil toneladas que foram queimadas indevidamente em comparação a 2019. Hoje a produção da Raízen chega a 63 milhões de toneladas de cana.

Inicialmente, a multinacional desenvolvia ações apenas com os colaboradores, por acreditar que eles são agentes de conscientização da comunidade. “Sempre no início das atividades no campo desenvolvemos o Diálogo Diário de Segurança (DDS), que entre os meses de maio a agosto, focamos nessa temática”, explica.

As ações com a comunidade são mais recentes. A Raízen faz atividades em centros comunitários e escolas, com o desenvolvimento de cartilhas para as crianças brincarem e assim, aprenderem sobre a importância da
prevenção aos incêndios.

Já no campo são realizadas mais ações preventivas. Entre elas estão os aceiros, que em caso de focos, evitam a propagação do fogo. Também são feitos após o início das colheitas, o enleiramento com palha. A operação amontoa a palha, deixando espaços de terra entre os montes, permitindo que equipes ganhem tempo.

Além disso, as equipes de combate às chamas ficam posicionadas em locais estratégicos, isso é, em pontos que há um histórico com problemas com incêndios. “Selecionamos locais próximos às rodovias, onde as pessoas descartam lixos. Também nas proximidades de residências, alguns moradores colocam fogo em insetos e no lixo caseiro”. Em Goiás, na cidade de Jataí, a empresa faz testes para o uso de aeronaves no combate aos focos.

A Raízen também investe em câmeras em pontos escolhidos e, em algumas regiões há equipes de ronda nos canaviais. Cada unidade da Raízen tem uma profissionais dedicados ao trabalho de conscientização e de combate. Temos 1100 brigadistas capacitados e 80 caminhões pipas dedicados distribuídas nas unidades em todo o país. Toda a unidade tem um Plano de Auxílio Mútuo Interno que permite proximidade com empresas da região e o Corpo de Bombeiros, em apoio recíproco em caso de necessidade.

Caso de sucesso

A Cooper-Rubi, usina localizada em Goiás, também desenvolve ações preventivas. A unidade registrou queda nas ocorrências de incêndio nos primeiros cinco meses deste ano em relação ao ano passado. Em 2019, a usina atendeu 37 focos, já neste ano, foram apenas três, o que representa uma redução de mais de 91%. Apenas no mês de maio do ano passado foram 18 casos.

Essa boa notícia se deve a ampliação das medidas preventivas desenvolvidas pelo Departamento de Meio Ambiente da unidade. A usina, que antes contava com dois vigilantes de campo, acrescentou mais um na equipe. Agora, são três profissionais que fazem rondas diariamente e também orientam a vizinhança das lavouras.

Ainda para somar há três fiscais de campo que dão todo o suporte necessário às equipes de incêndios, investigando as causas de cada um. Além disso, em caso de fogo acidental ou criminoso, um coordenador operacional – que supervisiona os trabalhos das equipes de combate a incêndios – repassa para  o departamento agrícola as informações referentes às áreas atingidas para que seja feito o boletim de ocorrência. Outa importante ação para todo esse trabalho foi a aquisição de três novos caminhões pipa. Agora, a Cooper-Rubi conta com 15 veículos.

Para conscientizar a população sobre a necessidade de prevenção de incêndios clandestinos ou acidentais que trazem sempre muitos prejuízos e destroem os canaviais, afetando gravemente a fauna e flora da região e prejudicando a qualidade do ar para toda a comunidade, foram instaladas nas áreas rurais, em locais com maior incidência do
problema, placas de alerta contra o uso do fogo.

A usina também realiza campanhas educativas e de conscientização em emissoras de rádio e em suas redes sociais. Esse material foi a plotado nos ônibus que transportam os colaboradores da usina, aumentando a visibilidade da ação.

A tecnologia é uma forte aliada neste trabalho. A empresa utiliza drones para o monitoramento das lavouras com o trabalho de duas equipes de combate a incêndio que ficam à disposição 24 horas.

É importante ressaltar que há diferenças entre queimadas e incêndios. As queimadas são ações controladas em período de safra, sempre com autorização e licença dos órgãos públicos ambientais. Para a realização da ação é necessário que ela aconteça no período da noite e seguindo várias técnicas. As queimadas são processos feitos mediante rigoroso controle e devidamente autorizados pelos órgãos públicos ambientais e mediante o cumprimento de certos requisitos legais. Já os  incêndios são aqueles feitos de forma criminosa ou acidental, que geralmente são descontrolados.

_Canal-Jornal da Bioenergia_

O setor sucroenergético se destaca nos últimos anos na geração renovável de energia, seja pela produção de etanol – que é um combustível menos poluente – seja pela geração de vapor e pela bioeletricidade.

Para aumentar o portfólio de produtos, as usinas agora já trabalham em pesquisa e no desenvolvimento para inserir a geração de biogás e biometano a partir de subprodutos da cana, como vinhaça, torta de filtro outros resíduos do processo de moagem e folhas. O objetivo é gerar novas receitas econômicas, com a injeção de biometano na rede distribuidora de gás, na produção de excedente na cogeração de energia na rede elétrica, ou mesmo para uso próprio, com a substituição de diesel na frota.

De acordo com a o André Elia, Consultor Ambiental e de Recurso Hídrico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), estima-se que a produção de biogás pode aumentar em mais de 10% a produção energética de uma destilaria, somente com o reaproveitamento da vinhaça. “Com o aproveitamento dos demais resíduos esse potencial mais do que dobra. Isso trará certamente uma maior sustentabilidade ambiental ao setor sucroenergético como um todo, podendo em certos casos zerar a pegada de carbono,” explica.

Algumas empresas do setor já estão investindo nesse segmento, utilizando produtos subutilizados do processamento de cana. De acordo com o representante Unica, a tecnologia de produção do biogás e biometano a partir dos resíduos do setor sucroenergético, principalmente da vinhaça, é testada desde a década de 1980, em pesquisas e plantas demonstrativas. “Na época, o setor construiu uma planta demonstrativa de grande escala na Usina São João da Boa Vista, em São Paulo, que produziu biometano para atender a frota de caminhões, em substituição ao diesel. A planta foi desmobilizada anos depois por não trazer competitividade frente ao diesel”, explica.

Outro exemplo, citado por André, é o biodigestor de vinhaça da Usina São Martinho, em São Paulo, que produz biogás para secagem de levedura. Segundo a entidade, várias outras pesquisas foram realizadas, porém a tecnologia, apesar de viável tecnicamente, não apresentou a viabilidade econômica requerida para substituição de combustível fóssil como o diesel ou produção de excedente de eletricidade.

Fontes limpas

Com a valorização da energia renovável grupos associados à Unica têm investido no biogás e no biometado. A Raizen já desenvolve uma planta para geração de energia elétrica na Usina de Bonfim, na cidade de Guariba, localizada no interior de São Paulo. A unidade, que tem uma moagem de aproximadamente 5 milhões de toneladas ao ano, será a primeira em escala comercial no mundo a utilizar a torta de filtro, na geração de energia elétrica por meio do biogás.

O investimento inicial na unidade é de R$150 milhões e terá uma potência instalada de 21 MW para produção de 138.000 MWh/ano de bioeletricidade a partir do biogás dos resíduos agrícolas e industriais da usina. A usina será equipada com dois métodos de produção: o primeiro adotará o sistema de co-digestão da Geo Energética, com utilização de resíduos como torta de filtro, bagaço e palha; o segundo, por sua vez, fará a biodigestão da vinhaça em “lagoas cobertas” a cargo da empresa Sebigas-Cótica.

A biodigestão dos subprodutos da usina de Guariba da Raízen permitirá uma produção de 138 mil MWh por ano, que é suficiente para abastecer, por exemplo, o próprio município e as cidades próximas. Desses, 96 mil MWh serão vendidos no contrato de leilão de 2016, do qual a Raízen foi a vencedora. E o valor excedente deverá ser negociado no mercado livre ou comercializado por meio de outros contratos.

O Grupo Cocal, juntamente com a empresa GasBrasiliano, também anunciou o desenvolvimento de um projeto que visa a produção de biometano a partir dos resíduos da cana-de-açúcar – vinhaça, torta de filtro e palha da cana – na unidade de Narandiba da Cocal, em São Paulo.

O investimento estimado é de R$ 160 milhões, com R$ 130 milhões da usina sucroenergética para a produção do combustível e R$ 30 milhões pela distribuidora para construir 65 quilômetros de rede. A previsão é que a operação comece no segundo semestre de 2020 com a capacidade de ofertar até 67 mil metros cúbicos de biometano por dia.

Em Goiás, a Jalles Machado desenvolve estudos de viabilidade para a produção de biogás na unidade de Goianésia. A empresa planeja produzir através da vinhaça e torta de filtro. O projeto tem previsão inicial para o início de 2021.

Essas são iniciativas que demonstram uma solução importante para o setor no desenvolvimento desse novo produto energético “Hoje, praticamente não há geração de biogás ou biometano pelo setor em grande escala, mas estima-se que só com a vinhaça pode-se produzir cerca de 3,5 bilhões de Nm3 de biometano por ano em 2030 com o RenovaBio”, afirma André. Segundo ele, para que todo esse potencial de energia renovável se viabilize é necessário o desenvolvimento de políticas públicas em paralelo com as iniciativas pontuais de inovações de alguns grupos do setor.

Fonte-Canal-Jornal da Bioenergia

Cigarrinha-de-raiz é uma praga que assola os canaviais reduzindo a produtividade em até 80%. Ela é encontrada, praticamente, em todas as regiões canavieiras do Brasil. Este inseto começou a se tornar relevante após o início da mecanização do manejo nos canaviais, com a ausência das queimadas.

Com as máquinas, há o acúmulo de palha que contribuiu para manter a umidade do solo, favorecendo o aumento da população da cigarrinha. A queimada na cana-de-açúcar era uma forma de controle cultural, porém essa tática ainda é realizada apenas em regiões nas quais a queima ainda é permitida, contribuindo para a destruição das formas biológicas da cigarrinha-das-raízes, especialmente dos ovos. “Com a colheita mecanizada, a cobertura vegetal deixada ao solo favorece o ambiente para o desenvolvimento dessa praga”, explica Ana Paula Bonilha, especialista de Desenvolvimento de Produto e Mercado da Ourofino Agrociência.

Mas outros fatores também são associados à ocorrência da praga, como o histórico populacional da área, o manejo realizado,  as variedades de cana-de-açúcar mais suscetíveis e a época de corte do canavial.

Segundo o analista técnico do Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás (Ifag), Alexandro Alves, a mudança no manejo permitiu a proliferação da cigarrinha. “O inseto produz ovos, que se transformam em ninfas. Estas se alimentam das seivas das raízes e das folhas dos canaviais. Além disso, injetam toxinas na planta ocasionando a perda de produtividade”, explica.

O ciclo do inseto inicia no período chuvoso. “Estamos no momento crucial. Em Goiás, por exemplo, o verão é um momento de atenção, pois temos a palhada no canavial, além de uma amplitude térmica alta e umidade relativa o ar também elevada. Todos são fatores e condições favoráveis que propiciam o desenvolvimento do inseto”, revela.

O ciclo

A primeira geração do inseto, apesar de pequena, possui a capacidade de desenvolvimento até a fase adulta, que fará a postura da segunda geração, já em maior quantidade. O pesquisador de Inseticidas da Ourofino Agrociência, Helvio Campoy Costa Junior, complementa que no período chuvoso, podem ser observados os altos níveis populacionais em campo, principalmente na segunda e terceira geração da praga. “Sendo assim, é extremamente importante realizar o controle no início do aparecimento de adultos e ninfas provenientes de ovos sobreviventes da safra anterior (Diapausa)”, explica.

Identificação

A infestação da cigarrinha-da-raiz é identificada pela presença de uma espuma esbranquiçada semelhante à espuma de sabão na planta. Para um controle eficaz, é imprescindível realizar o monitoramento, que deve ser realizado após 15 dias do início do período chuvoso. “Detectar a primeira geração permite um controle mais eficiente e, por isso, ele deve ser mantido durante todo o período de infestação – ou seja, entre os meses de março e abril”, orienta Ana Paula Bonilha.

Para identificar a praga nos canaviais e acompanhar o desenvolvimento populacional, o indicado é que o agricultor realize amostragens nos talhões, em seis pontos por hectare, em dois metros de sulco por ponto. “Quanto maior o número de pontos amostrados, melhor será a representatividade da amostragem frente à população de cigarrinhas no canavial. Essa amostragem é realizada contando o número de formas biológicas – adultos e ninfas – que estão localizadas sob a palha na região das touceiras, sendo assim, é necessário afastar a camada de palha para observar os insetos”, explica Bonilha.

Os canaviais novos sofrem mais com o ataque dessa praga, por isso devem ser priorizados no monitoramento, bem como áreas com histórico de alta infestação de cigarrinhas.

O ataque das cigarrinhas deixa as plantas mais suscetíveis ao acesso de outros organismos. Um bom exemplo são os fungos fitopatogênicos que ocasionam prejuízos diretos – no desenvolvimento da planta – ou indiretos, que comprometem a qualidade da matéria-prima, como a podridão vermelha.

Proteção

Atualmente, os principais métodos utilizados para o manejo de cigarrinha-das-raízes na cultura da cana-de-açúcar são: controle químico, controle cultural, variedades resistentes e controle biológico. Não existe um melhor método, a seleção entre controle químico e biológico está relacionada com o nível de infestação do inseto na área, sendo que, por diversas vezes, há a necessidade de associação dos diferentes métodos de controle. “É importante salientar que ambos os métodos podem ser utilizados em programas de manejo integrado de pragas”, explica Helvio Campoy Costa Junior, Pesquisador de Inseticidas da Ourofino Agrociência.

Alexandro complementa que o controle biológico é realizado com a pulverização do fungo metarhizium, de preferência em ambiente favorável, que é na época chuvosa. “Após este primeiro controle, é importante fazer  novamente uma nova contagem, para identificar os adultos e ninfas e verificar se é necessário outra ação, como a entrada de químicos.

Mas, no entanto, a utilização de cada método demanda um planejamento prévio para garantir o sucesso da ação. “Por exemplo, podemos utilizar inseticidas químicos para controle de adultos e ninfas da praga, retirada ou afastamento da palha, expondo a linha da cana à maior incidência de radiação solar e diminuindo a umidade do solo, o que resulta em condições menos favoráveis ao desenvolvimento de cigarrinhas, variedades que não apresentam grande suscetibilidade ao ataque da praga e, por fim, agentes de controle microbiano como os fungos entomopatogênicos.”, ressalta o pesquisador de Inseticidas. Porém, todos os métodos citados anteriormente são possíveis de serem empregados de maneira integrada e sustentável, mantendo a praga em baixos níveis populacionais. Canal-Jornal da Bioenergia

É comum ver grandes máquinas nos canaviais brasileiros, seja no período de colheita, seja durante o plantio ou na renovação. Mas este cenário está mudando em algumas usinas na época de plantio. As usinas estão deixando de lado o plantio por máquinas, voltando no tempo e optando pelo manual. O motivo do regresso é a busca pela melhor qualidade de brotação das sementes ou mudas, que eleva a produtividade e a qualidade da plantação.

A Diana Bioenergia, em Catanduva (SP), é uma das usinas que está apostando no plantio manual. Em 2018 a empresa do interior paulista começou a conciliar o plantio mecanizado com o manual. No ano passado, 30% da área desenvolveu o plantio manual, já este ano subiu para 85%. E, no ano que vem 100% do plantio será manual nas terras próprias. Assim, em 2020, a estimativa é que os três mil hectares da usina usem apenas trabalhadores rurais na plantação. Segundo Lucas Kellner, gerente agrícola da Diana Bioenergia, na última safra a usina colheu 1.228.000 toneladas de cana, mas o resultado do plantio manual será maior no próximo ano. “Em 2020 teremos uma melhor produção que será o reflexo do forte plantio manual que tivemos este ano”, pontua. Atualmente, a área de plantio da Diana Bioenergia é de 23 mil hectares – somando fornecedores, arrendamento e terras próprias. Exemplo: A CRV Industrial, localizada em Rubiataba (GO), já tem 100% do plantio dos canaviais de forma manual. A usina conta com 3.500 hectares de plantação. Segundo o superintendente agrícola, Joaquim Malheiros, a empresa colocou na balança e, há quatro anos, só faz o plantio manual. “Resistimos ao mecanizado e optamos por contratar mais pessoas e ter um plantio de mais qualidade”, revela.

Vantagens
Tanto no interior paulista como no território goiano, as usinas optaram pelo plantio manual devido a confiabilidade na brotação e na redução no uso de sementes e mudas. Para se mensurar, na Diana Bioenergia são usadas dez toneladas de mudas por hectare no plantio manual já no mecanizado sobe para 14 toneladas.
“Com os trabalhadores no campo conseguimos uma cana com melhor brotação, com mais vigor e maior resistência à seca e a pragas. Além de ter mais plantas por hectare já que reduzimos a quantidade de falhas do plantio”, revela Malheiros.

Outra vantagem do retorno do plantio manual é a possibilidade de trabalhar em áreas com relevo mais acidentado. “No final, o custo do plantio mecanizado e manual se equiparam, mas devido a maior qualidade e produtividade optamos pelo segundo”, pontua o superintendente. Kellner afirma que se observou um aumento de 8% de produtividade (TCH) e um acréscimo de 50% em relação à cana que era utilizada para muda. Esse 50% não era transformado em produto. “Com o plantio manual foi observado o ganho que tivemos com a redução de muda, redução de falhas e, consequentemente, aumento de produtividade e assim, a mudança se tornou viável”, relata. Mas ele revela que o plantio mecanizado tem suas vantagens, mas que não superam o manual. De acordo com o profissional, um dos benefícios é em relação ao tempo que o sulco de plantio fica aberto em comparação ao feito artesanalmente. “No mecanizado o sulco é aberto, coloca-se a muda e é fechado simultaneamente, já no manual o sulco pode ficar aberto até 24 horas, com essa situação pode se perder umidade do solo”, expõe.

Mão de obra
Além de aumentar a quantidade de cana moída com uma qualidade melhor da germinação da cana e densidade populacional, outra grande vantagem é a geração de empregos. Em Rubiataba, 400 pessoas da região trabalham no plantio direto entre os meses de janeiro e abril. Após esse período uma parte da mão de obra é aproveitada no corte manual – na unidade cerca de 10% não é mecanizado – ou na irrigação. “Assim, desenvolvemos um trabalho de cunho social e conseguimos manter os postos de trabalho durante o ano inteiro”, afirma Joaquim. No interior paulista 220 pessoas realizam o plantio.

Tradição
Outra vantagem do método antigo é a possibilidade de fazer Meiose (Método Interrotacional Ocorrendo Simultaneamente). Ambas as usinas têm adotado essa prática a fim de acelerar a adoção de novas variedades mais produtivas e modernas, resultando no aumento de produtividade. “Este método contribui ainda mais para a redução do gasto de mudas e melhora da qualidade do nosso plantio”, explica Kellner. Malheiros afirma que atualmente 30% das unidades sucroenergéticas da região Centro-Sul do país realizam este processo que é totalmente manual. Em resumo o método faz o plantio de uma linha de cana e, após um período entre oito a 12 meses, a linha é multiplicada. Canal-Jornal da Bioenergia.

Goiás é o segundo maior produtor de cana-de-açúcar no país. Apenas na safra 2016/2017 foram produzidas 67.629.843 toneladas, dados do Sindicato da Indústria de Fabricação de Etanol do Estado de Goiás e Sindicato da Indústria de Fabricação de Açúcar do Estado de Goiás (Sifaeg /Sifaçucar). Já a perspectiva da Conab, a colheita de cana do Centro-Sul do Brasil na temporada 2017/18 deverá atingir 598,04 milhões de toneladas.

Para atender a expansão do mercado, muitas instituições desenvolvem projetos que visam o aumento de produtividade, seja por métodos de plantio, uso de fertilizantes, mecanização da lavoura etc. Para contribuir na melhoraria dos resultados, o Instituto Federal Goiano (IF Goiano) tem estudado novas técnicas de produção de mudas, já que um dos grandes problemas enfrentados pelo setor sucroenergético é a lentidão e o custo de propagação da cultura.  Pelo método tradicional o caule da cana, conhecido por colmo, é plantado diretamente no solo, o que exige uma grande área e requer muita mão de obra, além de acarretar prejuízos com a incidência de pragas e doenças. Mas recentemente algumas usinas têm utilizado mudas obtidas pelo cultivo in vitro.

Nesta técnica, a planta é produzida a partir da gema – um pedaço específico do colmo – que brota em condições assépticas e, posteriormente, é clonado em grande escala. Segundo os especialistas entre os principais ganhos no uso desta técnica que utiliza a cultura de tecidos é o melhor vigor e uniformidade, tempo e quantidade para produção.

Para agilizar o processo, o pesquisador Aurélio Rubio Neto, da unidade do IF Goiano de Rio Verde, no sudoeste do Estado, aposta em um sistema alternativo com biorreatores, que são equipamentos capazes de multiplicar mudas de plantas com muita higiene, segurança e economia. Os biorreatores são utilizados para o cultivo de células e tecidos em meio de uma cultura líquida e visam produzir plantas de forma automática. O projeto é a pesquisa do pós-doutorado de Aurélio e foi nomeado de “Potencialização do enraizamento e redução da hiperhidricidade de plântulas de cana-de- açúcar cultivas em biorreator de nova geração”. A pesquisa é financiada pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e é realizada em parceria do IF Goiano com a Universidade da Flórida (EUA).

Pesquisa

A expectativa, conforme Aurélio, é testar biorreatores que ainda não foram utilizados no Brasil para que o método possa vir a ser empregado comercialmente em Goiás. Segundo ele, algumas usinas no país já fazem uso do biorreator na produção de cana, mas o IF Goiano será pioneiro em desenvolver essa tecnologia no Estado.

O método

O projeto de cultivo in vitro de cana de açúcar tem sido realizado no laboratório de cultura de tecidos vegetais da universidade goiana desde 2016. As vantagens de cultivo in vitro são inúmeras. Entre elas a qualidade fitossanitária da muda. “Produzimos mudas sadias, sem doenças”, pontua. O elevado potencial genético e fitossanitário deste tipo de produção minimiza a necessidade de aplicações de defensivos agrícolas e, consequentemente, garante maior produção já que a muda é livre de doenças e pragas. Outra vantagem é o tempo de produção de mudas que é inferior ao convencional. “As mudas que vão ao campo são mais resistentes a intempéries e ao ataque de pragas e doenças, diminuindo a necessidade de herbicidas. Isso representa, ainda, ganho ambiental e financeiro”, destaca. Além disso, com o cultivo in vitro é possível programar o plantio. Mas o principal benefício é o uso da técnica em qualquer época do ano, seja em um pequeno espaço físico.

A técnica consiste na utilização de frascos acrílico interligados, permitindo a nutrição e a renovação de ar que garante maior crescimento e produção de mudas por frasco. O pesquisador explica que no cultivo tradicional, além da utilização de frascos de vidro, é necessário acrescentar ao meio um agente geleificante muito comum, chamado ágar. “Por outro lado, quando utilizamos biorreatores, trabalhamos com o meio líquido, ou seja, não temos adição de ágar, o que torna ainda mais barato”, pontua.

Assim, após a multiplicação, as mudas passam por um processo de aclimatização para se adaptarem à vida no ambiente ex vitro e, depois, serem levadas para a área de plantio.

A importância dos biorreatores

Em um laboratório comercial aproximadamente 70% dos gastos são com mão de obra. Portanto, qualquer medida para diminuir esse custo é uma vantagem. De acordo com o pesquisador do IF Goiano, os biorreatores ganham ainda mais importância já que se produzem mais mudas em menores quantidades de frascos e tempo e, consequentemente, é reduzida a mão de obra e a quantidade de meio de cultura. “A função do biorreator é essa, produzir maior quantidade de material utilizando menos meio de cultura e espaço físico”, pondera Aurélio.

Na pesquisa da universidade é utilizada biorreator de imersão temporária, que é um sistema que emprega além de frascos plásticos, um sistema de areação – bomba a vácuo – que permite a melhor aeração do meio, que acontece intermitentemente, garantindo a renovação do ar e, logo, maior crescimento e multiplicação.

O sistema

No sistema de biorreatores de imersão temporária há um frasco transparente com o material vegetal, ou seja, as mudas, e em outro há o meio de cultivo, composto que irá suprir as exigências nutricionais. Os frascos são ligados por filtros e mangueiras. Então, de tempos em tempos, ocorre o bombeamento desse meio para o frasco contendo as mudas.  “Essas, por sua vez, são umedecidas e, posteriormente, o meio retorna ao seu frasco original”, explica Neto. Com esse método é possível uma taxa de multiplicação mais rápida. “É um sistema simples que permite a produção de grande quantidade de mudas por frasco, barateando o processo”, garante.

Problemas

Um dos grandes inconvenientes da técnica, porém, é que ela favorece o acúmulo de água dentro das células e tecidos vegetais, fenômeno chamado de vitrificação ou hiperidricidade, que prejudica a produção de mudas em larga escala.

A quantidade excessiva de água nos tecidos foliares pode diminuir as taxas de brotações e permitir que as folhas se quebrem com maior facilidade. “No caso da cana-de-açúcar há pouca informação científica. Sabemos que a vitrificação é promovida em ambientes com altas temperaturas, baixa intensidade luminosa, que é muito comum no cultivo in vitro, e também pelo uso do meio líquido.

Para resolver o problema, o pesquisador avaliará, pela primeira vez nos Estados Unidos, nessa forma de cultivo da cana, o Phloroglucinol. Trata-se de um composto que, além de diminuir a hiperidricidade, pode potencializar o enralizamento e brotação das gemas estabelecidas.  “Alguns estudos têm demonstrado o potencial desta substância nessa área”, esclarece.

 

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A adoção de novas variedades genéticas no plantio de cana-de-açúcar significa a incorporação de ganhos na grande lavoura, gerando uma canavicultura mais sustentável. Para verificar a dimensão das variedades na região Centro-Sul do Brasil, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Censo Varietal, por meio do Instituto Agronômico (IAC), identificou quais são as variedades de cana cultivadas em 6,1 milhões de hectares na região O Censo Varietal IAC, feito pelo Programa Cana IAC, é o maior censo de variedades de cana-de-açúcar do Brasil.

O objetivo do trabalho é mostrar para as empresas os riscos biológicos existentes na concentração varietal e também estimular os produtores a adotarem novas tecnologias de variedades.

O resultado mostrou que a variedade predominante na região Centro-Sul é a RB867515, com 27% de ocupação. Essa variedade desenvolvida pela Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento do Setor Sucroenergético (Ridesa), foi lançada no final da década de 90 e desenvolvida, portanto, no período pré-mecanização de colheita e de plantio.

Para o coordenador do Programa Cana IAC, Marcos Landell, um dos grandes benefícios de se utilizar de um plantel varietal amplo, evitando a concentração de uma mesma variedade, é a segurança biológica que é conferida a lavoura, impede-se assim, grandes danos no caso do surgimento de uma nova doença que comprometa uma variedade cultivada em áreas expressivas.

O levantamento iniciou em maio de 2016 e concluído em novembro de 2017 e identificou que conforme novas variedades surgem no mercado, a RB867515 perde espaço, o que significa que a diversificação genética e materiais mais modernos estão entrando nos campos. A área plantada com a RB867515 apresenta queda de 11%.

Segundo o censo, a segunda variedade mais cultivada e colhida é a RB966928, também da Ridesa, que reúne 9% da área no Centro-Sul e teve 4% do aumento do plantio durante o levantamento.

O estudo identificou que certas regiões possuem as maiores concentrações de variedades, com destaque o oeste paulista, na região de Araçatuba a RB867515 ocupa 35,9% dos 859 mil hectares recenseados.

Já no Paraná a concentração desta variedade é de 44,3% do total de 554 mil hectares. Dos 134 mil hectares avaliados no Mato Grosso, a região com maior concentração de cultivo, 49,8% desta área são com a RB867515.

De acordo com coordenador do Programa, os estudos indicam que as variedades mais modernas produzem mais por hectare – em torno de 15 toneladas. “O produtor está perdendo oportunidade de incorporar uma variedade moderna; identificar opções para incrementar a produtividade significa caminhar em direção à cana de três dígitos”, afirmou o pesquisador, referindo-se aos materiais que possam produzir a partir de 100 toneladas por hectares.

Intenção de plantio

O estudo do IAC também levantou as intenções de plantio para 2017 em 517 mil hectares. Foi identificado que as áreas de Ribeirão Preto, Piracicaba e de Goiás têm boa condição de diversidade genética.

Algumas variedades apresentaram queda na intenção de plantio, como a  RB867515 se destacou com 16,6% da intenção de plantio, o índice é menor do que em anos anteriores, quando chegou a 25%. Para o pesquisador do IAC, há um aumento do interesse de cultivar materiais mais modernos.  As variedades do CTC tiveram incremento na intenção de plantio, que passou de 23,2% para 27,3%.

As variedades do IAC apresentaram aumento na intenção de plantio, passando de 5,4%, em 2015/16, para 7,4%, em 2016/17, que significa um salto de 37% na intenção de plantio de variedades do Instituto Agronômico. “Atualmente, 3% das variedades cultivadas no Centro Sul são do IAC.

As nossas variedades têm maior presença no Estado de Goiás, onde o Instituto tem forte atuação desde o ano 1995”, pontua. A CTC4, desenvolvida pelo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), tem 11,4% das intenções, a IACSP95- 5000 tem 2,7% e a IAC91-1099, 2,6%. Por exemplo, em 51 mil hectares em Ribeirão Preto, variedade CTC4 deverá ocupar 10,8%; a RB 855156, 10,4%; a RB966928, 10,1%; a IAC91-1099, 4,4% e a IACSP95-5000, 2,8%.

A IAC91-1099 tem 10,8% da intenção de plantio em Goiás, Mato Grosso e Tocantins; 4,4% em Ribeirão Preto e 4% em Minas Gerais e Espírito Santo. A IACSP95-5094 aparece na intenção de plantio em 3,6% da área de Jaú, interior paulista, e de 2,4% de Goiás, Mato Grosso e Tocantins.

Considerando toda a área destes três Estados, no total de 45 mil hectares, as intenções para o próximo ano são: 16% para a RB 867515, 16,2% para a CTC4 e 10,8% para a IAC91-1099, o que revela maior diversidade.

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